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Radiografia explosiva

Máquina experimental produz, na forma de raios X, oitenta vezes mais energia do que a eletricidade gerada no mundo em 1 segundo.

Por Da Redação Atualizado em 31 out 2016, 18h34 - Publicado em 31 ago 1998, 22h00

Flávio Dieguez

O físico americano Gerold Yonas é um visionário. Ele acredita que é possível construir um reator nuclear usando simples raios X, os mesmos utilizados para tirar radiografias. Para isso, Yonas projetou o monstro que você vê na foto ao lado, batizado de Máquina Z, no Laboratório Nacional Sandia, em Albuquerque, no Estado americano do Novo México.

O aparelho usa eletricidade para aquecer um pequeno cilindro cheio de gás de hidrogênio, localizado no seu centro. Então, a 1,8 milhão de graus Celsius, o hidrogênio emite raios X, que ficam presos no cilindro, junto com o gás. Como os raios X são altamente energéticos, eles aumentam brutalmente a quantidade de energia dentro do cilindro. Chega um momento, que dura 1 bilionésimo de segundo, em que a concentração atinge 69 trilhões de calorias, o equivalente a oitenta vezes a energia elétrica produzida no mundo todo em 1 segundo.

De acordo com o cientista, se essa densidade energética puder ser multiplicada por três, os núcleos de hidrogênio entrarão em fusão, isto é, grudarão uns nos outros, liberando toda a imensa força atômica armazenada dentro deles. Mas não há explosão porque na Máquina Z a fusão ocorre de maneira controlada. Se algum dia existirem reatores capazes dessa proeza, Yonas aposta que um único litro de hidrogênio poderá gerar mais energia que 20 000 toneladas de gasolina. Aí, adeus crise de energia. Possivelmente, a civilização entrará numa nova era – a era de energia intensiva.

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