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Roupas inteligentes

Esqueça os computadores móveis. Abra espaço em seu guarda-roupa para a moda tecnológica

Ceila Santos

Quem ainda não se convenceu de que os computadores como conhecemos hoje farão parte do passado, com certeza não conhece Steve Mann, pesquisador responsável pela novíssima área de Wearable Computer (“Computador Vestível”, em inglês) do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos EUA. Mann costuma ser visto vestindo suas invenções em casa e nos corredores da universidade. E é fissurado pela idéia de que roupas e acessórios podem se fundir a aparelhos tecnológicos – é criação dele, por exemplo, os óculos de sol que servem como filmadora e gravam tudo aquilo que você vê.

• Há outros exemplos de moda eletrônica. Se você enviar um SMS a alguém que está usando a camiseta Hug Shirt, sensores embutidos na roupa farão a pessoa se sentir abraçada. Uma cueca inteligente, desenvolvida pela empresa Isabodywear, é capaz de impedir que a radiação de telefones celulares afete o aparelho reprodutor masculino. E as peças de uma coleção da Adidas, com camiseta, monitor de pulso e tênis, comunicam-se entre si e monitoram todo o sistema físico do usuário – da freqüência cardíaca ao tempo necessário de relaxamento após o esforço físico.

• Nessa nova moda, até empresas de fora do mundo fashion estão de olho. A Philips tem uma tecnologia chamada LumaLive. É um tecido que transmite imagens através de luzes leds e transforma sua estampa em um monitor. Somente neste ano, a novidade foi apresentada em 6 eventos pela Boost Products, distribuidora da fabricante, que quer emplacar a LumaLive como ferramenta para campanhas publicitárias.

• A maioria dos projetos wearable, entretanto, tem foco em aplicações menos “fashionistas”. O alvo são profissionais na sua rotina de trabalho. O projeto wearIT@work, da União Européia, pretende criar roupas e acessórios inteligentes (luvas, óculos etc.) que aumentem as habilidades dos trabalhadores. No Brasil, Luisa Donati, pesquisadora da Unicamp, realiza um projeto para compreender as relações espaciais a partir dos wearables, batizado de Vestis. Ela acredita que o “computador vestível” gera outra forma de sinergia entre o homem e a máquina, pois oferece uma área pessoal de comunicação, onde o usuário estabelece conexões através do próprio corpo por meio de sensores. Isso potencializará ainda mais a interação da sociedade em rede.

• Em breve, poderemos dizer que nanotecnologia, sensores, telefonia, câmeras de vídeo e GPS finalmente viraram moda. Ao pé da letra. Será um alívio para nossos bolsos cheios de bugigangas eletrônicas.