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Tecnologia: Viver vai ser divertido

A TV digital e interativa vai revolucionar suas horas de lazer. Mas você ainda terá bons motivos para sair de casa e encontrar os amigos

Leandro Steiw

A interatividade deve dominar o lazer nas próximas décadas do século 21. TV digital, imagem e som de altíssima definição, telas e monitores gigantescos serão tão corriqueiros nas nossas casas em 2015 que vamos pensar duas vezes antes de sair para a rua. Mas o destino das gerações futuras será fechar-se na sala ou no quarto? Teremos mais amizades virtuais do que reais? O homem vai esquecer a sua característica de animal sociável e se isolar?

Tudo indica que a tecnologia vai nos convencer a ficar mais tempo em casa, sim, mas os almoços em restaurantes e o chopinho com os amigos também continuarão a fazer parte do nosso lazer. No livro 2015: Como Viveremos (Saraiva, 2004), o jornalista Ethevaldo Siqueira descreve apaixonadamente os novos monitores de grandes dimensões, com telas planas de plasma ou cristal líquido. Ele acredita que, até 2010, os novos televisores serão ainda um privilégio das classes A e B, mas os preços cairão drasticamente antes de 2015, abrindo caminho para a classe C. Em áreas públicas vão prevalecer supertelões de até 16 metros de comprimento por 9 metros de altura. “Como um elemento novo na paisagem, começarão a surgir nos parques, estádios, clubes ou shopping centers os supertelões, dando nova vida a todos os tipos de espetáculos ao ar livre, competições esportivas, festivais, shows ou concertos populares”, escreve Siqueira. Certamente, nos sentiremos tentados a deixar o conforto do lar e compartilhar tudo isso com outras pessoas.

O mais fascinante é que o som e a imagem de primeira qualidade são apenas um aperitivo para o grande banquete que será proporcionado pela futura TV digital. Com o controle remoto na mão, a qualquer hora do dia, poderemos assistir aos nossos programas preferidos, baixar filmes e shows recentes e antigos, disputar jogos eletrônicos, participar de videoconferências e fazer compras online. Em 2020, o telespectador vai operar as câmeras de partidas de futebol, por exemplo. Já pensou em acompanhar a final da Copa do Mundo de 2022 sob o ponto de vista do árbitro e, finalmente, descobrir se aquele pênalti não marcado a favor do Brasil foi por falta de visão ou por incompetência mesmo? Segundo o relatório DigiWorld, da consultoria européia Idate, já em 2010 haverá 200 milhões de residências no mundo com a TV digital instalada, mais que o dobro do início deste século.

Quando puderem viajar por todo o planeta, por meio de programas interativos de turismo da TV digital, os telespectadores do futuro não desistirão de comprar uma passagem aérea e tirar alguns dias de férias nas praias do Nordeste brasileiro ou nas grandes metrópoles da Europa. Tanto que a Organização Mundial de Turismo (OMT) calcula que cerca de 1,5 bilhão de pessoas viajarão de um país a outro em 2020, quase três vezes mais do que na virada do século.

Se sairão de casa para fazer turismo pelo mundo ou para ver o último lançamento de Hollywood nos modernos cinemas do futuro, isso significa que as pessoas continuarão se relacionando. “É bem possível que a satisfação do contato humano ocupe parte do tempo que as pessoas hoje gastam com entretenimento eletrônico pré-fabricado. A vida social, portanto, será enriquecida, e não empobrecida”, escreve a jornalista americana Frances Cairncross, autora do livro O Fim das Distâncias – Como a Revolução nas Comunicações Transformará Nossas Vidas (Nobel, 2000). Ela cita o caso das comunidades virtuais, uma das novidades tecnológicas embaladas nos últimos anos na esteira da expansão da internet. “As comunidades unidas por interesses talvez tenham mais afinidades entre si do que vizinhos”, diz Frances. Isso já é muito comum no Orkut, por exemplo. Vasculhe algumas comunidades temáticas e comprove a quantidade de encontros realizados por internautas que jamais tinham se visto pessoalmente.

As possibilidades de diversão no século 21 ficarão ainda mais empolgantes se os equipamentos de realidade virtual, hoje disponíveis nas universidades, ficarem acessíveis comercialmente. O equipamento – composto por um capacete de visualização e controle, duas luvas e um punhado de sensores – é capaz de simular vôos interplanetários, expedições ao fundo do mar e viagens ao passado. Quem não gostaria de pisar em Marte, mergulhar no fundo do oceano ou participar do descobrimento do Brasil, numa só tarde, e ainda voltar são e salvo para casa? Como você percebeu, a tecnologia não vai substituir familiares e amigos no futuro. Provavelmente, só aumentará as opções para você se divertir com eles.

Tendências

• TV DIGITAL

Em 2010, estima-se que haverá cerca de 200 milhões de casas no mundo com TV digital instalada, mais que o dobro do que existe atualmente.

• SUPERTELÕES

Telas e monitores gigantescos serão corriqueiros nas casas em 2015. Em áreas públicas, supertelões vão se incorporar à paisagem urbana e transmitir todos os tipos de espetáculos ao ar livre.

• REALIDADE VIRTUAL

Equipamentos de realidade virtual poderão permitir a simulação de vôos interplanetários, expedições ao fundo do mar e viagens ao passado.