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Televisão: O futuro é digital

A TV do século XXI traz imagens digitais, telas planas com visão panorâmica e aparelhos integrados com o computador.

Spensy Pimentel

O televisor que você tem em casa pode ser o mais sofisticado da loja – som estéreo, controle remoto, tela plana de 40 polegadas, todos os acessórios. Não importa. Em dez anos, no máximo, ele se tornará tão obsoleto quanto o aparelho em preto-e-branco da sua avó. Já está em andamento uma revolução tecnológica com conseqüências só comparáveis às do surgimento da TV em cores, nos Estados Unidos da década de 50. Na época, já havia mais de 10 milhões de televisores no país. Todos tiveram de ser trocados. É o que acontecerá, inevitavelmente, com os mais de 1 bilhão de aparelhos de TV existentes hoje no planeta.

O motivo dessa mudança colossal são – e o que mais poderia ser? – os computadores. As novas ondas de TV vão transmitir apenas dados digitais, ou seja, os mesmos zeros e uns que comandam o mundo da informática. Trabalhando com o código binário, as transmissões ficarão mais rápidas e eficientes. Nos Estados Unidos, o governo já decretou a data de morte dos atuais televisores analógicos: a partir de 2006, todos os canais deverão enviar seus sinais pela linguagem digital. No Brasil, a transição começará em 2001.Outra mudança radical, que reforçará a necessidade de substituir os aparelhos, é a chegada da HDTV (sigla em inglês para “televisão em alta definição”). Com tecnologia digital, o novo sistema duplicará a qualidade atual das imagens. Os aparelhos também vão mudar de cara, com a popularização das telas de plasma, finas como um quadro, e da integração da TV com a Internet.

Prepare-se para a troca

Entram em cena os aparelhos de alta definição.

A atual televisão pode transmitir imagens com, no máximo, 525 linhas de definição. A HDTV (high definition television), ou TV de alta definição, aumentará essa capacidade para algo entre 1 000 e 1 200 linhas. Para operar com imagens tão nítidas, a HDTV utiliza a tecnologia digital, única capaz de reduzir o volume de dados transmitidos. Isso é possível por meio de um processo chamado compactação. Sem ele, você necessitaria da freqüência de seis canais normais para transmitir um único canal de HDTV. Como ocorreu na transição para a TV em cores, a mudança para a HDTV ainda vai render muita trabalheira. Das câmeras aos televisores, boa parte do equipamento terá de ser trocada.

A conversão para a linguagem binária ou digital é feita na câmera, onde um chip de computador lê os pontos da onda eletromagnética como zeros ou uns. No televisor, outro chip reverte a operação, para que a imagem apareça na tela. No Brasil, as únicas emissoras que transmitem sinais digitais são as que utilizam antenas tipo pizza, como a DirecTV e a Sky.

Fracasso cristalino

O primeiro televisor que dispensou o tubo catódico utilizava, em seu lugar, telas de cristal líquido, como a deste aparelho da Sharp (foto). A tecnologia, desenvolvida na década de 80 e usada até hoje em telas de computadores portáteis (laptops), não funciona para a televisão. Olhando a tela de frente, tudo bem. Mas, se você estiver na diagonal, a uns 45 graus, as cores ficarão distorcidas e a imagem, irreconhecível. Já imaginou o problema que isso causaria numa sala de estar, com a família inteira reunida? Só quem estivesse bem no meio do sofá poderia ver com nitidez as cenas na tela.

Na TV de alta definição (HDTV), você enxergará o campo inteiro ao assistir a um jogo de futebol. É que ela tem o campo visual maior que o dos atuais televisores. A proporção das imagens de HDTV é a mesma que existe entre a altura e o comprimento de uma tela de cinema – 9 por 16.

No aparelho que você tem em casa, a proporção é de 3 por 4

Cinema na parede

TVs com tela de plasma chegam para aposentar o tubo de imagem.

O tubo de imagens, alma dos atuais televisores, está condenado a ficar obsoleto em poucos anos. Seu lugar será ocupado por telas de plasma, a superfície ideal para exibir as imagens de alta definição (veja, na página ao lado, o texto sobre a HDTV). Elas são formadas por milhares de pequenas células fluorescentes. A tela é plana, o que elimina distorções e oferece uma imagem clara de um canto ao outro, tanto no sistema atual quanto nas futuras transmissões de HDTV. Mas a principal vantagem em relação ao tubo é a espessura: cerca de 5 centímetros. O problema ainda é o preço, que varia de 20 000 reais (o aparelho da Fujitsu) a 30 000 reais (da Philips).

Nas telas de plasma, as três cores que compõem cada ponto (ou “pixel”) são processadas em separado, o que dá à imagem uma nitidez quase fotográfica. Os aparelhos atuais têm cerca de 850 linhas de definição, bem mais do que a maioria dos televisores com tubo de imagem.

A tela é composta por células revestidas de fósforo, cada uma delas com dois eletrodos. Dentro da célula há uma mistura gasosa ionizada (o plasma) dos gases neônio e xenônio. A descarga dos eletrodos faz o plasma emitir radiação ultravioleta, que atinge o fósforo, gerando luz.

O DVD (Digital Versatile Disc) é um disco óptico como os CDs, feito para substituir as tradicionais fitas de vídeo. Ele pode armazenar um longa-metragem inteiro, como Titanic, e ainda sobra espaço para luxos como legendas em várias línguas e som em seis canais. O segredo são as novas técnicas de gravação em laser, que guardam os dados digitais em trilhas microscópicas cada vez menores

A TV tende a se tornar cada vez mais onipresente. A miniaturização eletrônica tornará possível instalar televisores até em relógios de pulso. E eles serão capazes não só de receber imagens, mas também de processar e enviar dados. Por enquanto, o que há de mais avançado são modelos como este, com o sugestivo nome de watchman – uma alusão ao walkman, o toca-fitas portátil lançado no fim da década de 70 pela mesma Sony