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A cidade que mais produz guaraná no mundo

Guaraná não nasce na lata, ele cresce em árvore. Conheça como os moradores da cidade que mais produz guaraná no mundo consomem o fruto

Por Pâmela Carbonari, Thaís Zimmer Martins Atualizado em 23 fev 2018, 18h01 - Publicado em 21 fev 2018, 17h50

O Brasil é o único país que comercializa o guaraná. No coração da Amazônia, a 356 km de Manaus, fica Maués, a cidade que mais produz guaraná no País – e, consequentemente, no mundo. Com 60 mil habitantes, o município tem condições de temperatura e quantidade de chuvas ideais para o cultivo do fruto. Não à toa, o guaraná é a principal atividade econômica da cidade: por ano são produzidas mais de 400 toneladas.

Plantação de guaraná em Maués
O guaranazeiro é um cipó originário da Amazônia. A temperatura ideal para uma planta se desenvolver é entre 23 ºC e 28 ºC. Gabriela Portilho/Superinteressante
Funcionário da fazenda Santa Helena, em Maués
Funcionário da fazenda Santa Helena, em Maués. Uma planta produz 1,5 kg de guaraná por ano e pode atingir até 10 m de altura. Gabriela Portilho/Superinteressante

Além do guaraná, da densa floresta tropical que circunda a cidade e da imensidão das águas da região, Maués chama atenção pela longevidade da população. Por lá, o percentual de idosos é o dobro da média nacional.

Pesquisas da Universidade Estadual do Amazonas (UEA) e da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) destacam os fatores genéticos, o não sedentarismo, a dieta amazônica, a vida sem exposição à poluição e a estresses constantes como alguns dos fatores que contribuem para a longevidade.

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E não é apenas viver mais, eles vivem melhor: a incidência de doenças comuns na velhice, como reumatismo, hipertensão e diabetes, é 60% menor entre os maueenses se comparados aos manauaras. De acordo com estudos da UEA em parceria com a UFSM e da USP, o fruto amazônico que batiza a cidade também dá vida longa ao povo da Terra do Guaraná.

Os maueenses consomem o guaraná em pó, bola ou bastão. Os últimos dois são versões do grão torrado e macerado que costumam ser raladas na língua do pirarucu, peixe amazônico.
Os maueenses consomem o guaraná em pó, bola ou bastão. Os últimos dois são versões do grão torrado, pilado e defumado que costumam ser ralados na língua do pirarucu, peixe amazônico. José Augusto Ribeiro (na foto), consome um quilo de guaraná por mês. Gabriela Portilho/Superinteressante

Por ser rico em cafeína, antioxidantes e ter propriedades anti-inflamatórias, o guaraná pode prevenir o surgimento de doenças cardiovasculares, neurodegenerativas, diabetes e outras patologias. Para se ter uma ideia do potencial do fruto, sua versão em pó tem 10 vezes mais antioxidantes que o chá verde – habituè das dietas saudáveis.

À convite da AMBEV, que mantém uma fábrica de beneficiamento de guaraná em Maués, fomos conhecer as famílias que vivem do cultivo do fruto e como eles costumam consumi-lo.

Olhos de guaraná: a colheita acontece quando o fruto abre e as sementes ficam aparentes
Olhos de guaraná: a colheita acontece quando o fruto abre e as sementes ficam aparentes. Um quilo da semente torrada custa, em média, R$22. O guaraná funciona como uma moeda de troca na cidade. Gabriela Portilho/Superinteressante
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