Essa baleia vive por dois séculos – e agora cientistas descobriram o porquê

A baleia-da-groenlândia é o mamífero mais longevo do planeta. Alguns indivíduos ultrapassam 200 anos de vida, um feito raro entre animais de grande porte.

Animais grandes têm mais células e, em tese, maior risco de câncer. Ainda assim, baleias, elefantes e girafas desenvolvem menos tumores do que humanos.

Esse enigma é conhecido como paradoxo de Peto. A pergunta central é: como esses animais gigantes evitam o câncer e vivem tanto tempo?

Pesquisadores da Universidade de Rochester analisaram células vivas de baleias-da-groenlândia, obtidas com apoio de comunidades inuítes do Alasca.

Os testes mostraram que as células dessas baleias resistem ao câncer de um jeito diferente: em vez de se autodestruir, elas reparam danos no DNA.

A chave desse mecanismo é a proteína CIRBP, ativada pelo frio. As baleias produzem até 100 vezes mais dessa proteína do que os humanos.

Como vivem o ano inteiro em águas geladas, essas baleias usam o frio como aliado para manter o DNA íntegro e os tecidos saudáveis.

Em laboratório, células humanas com mais CIRBP dobraram a capacidade de reparar erros genéticos. Moscas tratadas viveram mais e resistiram à radiação.

O estudo sugere que reforçar o reparo do DNA pode ser um caminho para combater o câncer e entender melhor os segredos da longevidade humana.