Por que só 7 pessoas na história foram curadas do HIV
Desde o início da epidemia de HIV, milhões de pessoas foram infectadas. Hoje, há uma série de tratamentos que mantêm o vírus sob controle e conferem qualidade de vida para quem convive com a doença.
Desde o início da epidemia de HIV, milhões de pessoas foram infectadas. Hoje, há uma série de tratamentos que mantêm o vírus sob controle e conferem qualidade de vida para quem convive com a doença.
Ainda assim, apenas sete pacientes na história foram considerados totalmente curados do vírus. Ou seja, não precisaram mais tomar a medicação diária.
Ainda assim, apenas sete pacientes na história foram considerados totalmente curados do vírus. Ou seja, não precisaram mais tomar a medicação diária.
O primeiro caso foi o de Timothy Ray Brown, diagnosticado com HIV em 1995. Em 2006, ele também desenvolveu leucemia mieloide aguda, um tipo grave de câncer do sangue.
O primeiro caso foi o de Timothy Ray Brown, diagnosticado com HIV em 1995. Em 2006, ele também desenvolveu leucemia mieloide aguda, um tipo grave de câncer do sangue.
Para tratar a leucemia, Brown recebeu um transplante de medula óssea. Os médicos buscaram um doador com uma mutação genética rara que confere resistência ao HIV.
Para tratar a leucemia, Brown recebeu um transplante de medula óssea. Os médicos buscaram um doador com uma mutação genética rara que confere resistência ao HIV.
Essa mutação ocorre no gene CCR5. Ela impede que o vírus use uma proteína da superfície das células como “porta” para entrar e iniciar a infecção.
Essa mutação ocorre no gene CCR5. Ela impede que o vírus use uma proteína da superfície das células como “porta” para entrar e iniciar a infecção.
Após o transplante, Brown passou a produzir células do sistema imunológico com essa mutação. O HIV que existia em seu corpo deixou de conseguir infectá-las.
Após o transplante, Brown passou a produzir células do sistema imunológico com essa mutação. O HIV que existia em seu corpo deixou de conseguir infectá-las.
Anos depois, exames confirmaram que não havia mais vírus detectável. Brown ficou conhecido como o “paciente de Berlim”, o primeiro caso documentado de cura do HIV.
Anos depois, exames confirmaram que não havia mais vírus detectável. Brown ficou conhecido como o “paciente de Berlim”, o primeiro caso documentado de cura do HIV.
Desde então, outras seis pessoas também foram curadas usando o mesmo método: transplantes de medula com doadores que possuem a mutação CCR5-Δ32.
Desde então, outras seis pessoas também foram curadas usando o mesmo método: transplantes de medula com doadores que possuem a mutação CCR5-Δ32.
O procedimento, porém, é arriscado e agressivo. Por isso, só é usado em casos graves, como câncer no sangue — e não apenas para tratar o HIV.
O procedimento, porém, é arriscado e agressivo. Por isso, só é usado em casos graves, como câncer no sangue — e não apenas para tratar o HIV.
Além disso, a mutação é muito rara. Apenas cerca de 1% a 2% das pessoas do norte da Europa têm duas cópias do gene alterado e são realmente imunes ao vírus.
Além disso, a mutação é muito rara. Apenas cerca de 1% a 2% das pessoas do norte da Europa têm duas cópias do gene alterado e são realmente imunes ao vírus.
Hoje, cientistas tentam reproduzir esse efeito com medicamentos ou edição genética, como a técnica CRISPR-Cas9. Mas essas estratégias ainda estão em estudo.
Hoje, cientistas tentam reproduzir esse efeito com medicamentos ou edição genética, como a técnica CRISPR-Cas9. Mas essas estratégias ainda estão em estudo.