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Alexandre Versignassi Por Alexandre Versignassi Blog do diretor de redação da SUPER e autor do livro "Crash - Uma Breve História da Economia", finalista do Prêmio Jabuti.

Três respostas para conversas de elevador sobre a Covid

1) O vírus não será erradicado. 2) A vacinação de hoje é só a primeira de muitas. 3) A grama dos gringos não é tão verde quanto parece.

Por Alexandre Versignassi 16 abr 2021, 13h10

A epidemiologia superou a meteorologia no papel de área do conhecimento que mais inspira conversas de elevador (que não precisam, e hoje nem devem, acontecer no elevador, mas acho que você entendeu o meu ponto). Então seguem três temas que costumam aparecer nesses papos rápidos, e as respostas da ciência para eles. 

“Quando é que isso vai acabar, hein?”. Resposta: Acabar, acabar mesmo, não vai. A Nature, maior periódico científico do mundo, perguntou a mais de 100 imunologistas se eles acham que o coronavírus será erradicado. 90% responderam que não. O vírus se tornará endêmico, eles dizem. Significa o seguinte: o Sars-Cov 2 vai seguir circulando em certos pontos do globo. Culpa das mutações, que não deixarão de aparecer, principalmente em lugares com baixa cobertura vacinal. Cada país que se livrar do vírus terá de desenvolver (ou adquirir) novos imunizantes contra novas cepas, como acontece com as vacinas da gripe, antes que as futuras variantes deem as caras em seus territórios. Só quando um sistema assim estiver bem estabelecido, a possibilidade de contrair Covid será baixa o suficiente para entrar no rol de riscos aceitáveis. E isso nos leva ao próximo tema de elevador.  

“Ai… e se a vacina não funcionar contra a variante nova?” Resposta: Você deve tomar de um jeito ou de outro. Primeiro, porque o vírus original segue circulando. Segundo, porque, sim, é possível que as vacinas de hoje ofereçam alguma proteção contra a P.1 e outras mutações. Até o fechamento desta edição, o Butantan afirmava ter bons resultados preliminares sobre a eficácia da CoronaVac contra a P.1 (embora não tenha divulgado). Por outro lado, o único estudo envolvendo uma variante nova e uma vacina atual feito até agora com humanos detectou que o imunizante da AstraZeneca não evita infecções da B.1.351, da África do Sul. E é inconclusivo sobre se ela impede ou não casos graves – nenhum dos 1.400 voluntários teve uma forma severa da doença, nem no grupo de vacinados, nem no que tomou placebo. Enquanto não chegam pesquisas mais amplas, precisamos usar os imunizantes que temos à mão, e os governos devem estimular o desenvolvimento de novas vacinas, elaboradas especialmente contra as novas variantes.

“Viu que na Austrália não tem mais Covid?”. Resposta: Eles não registram mortes desde outubro. Está tudo liberado: praia, bar, balada. E o Midnight Oil acabou de dar um show para 13 mil pessoas. Zero máscara. Tom Hanks, Matt Damon, Mark Wahlberg, Ed Sheeran, Tilda Swinton e mais um monte de ricos e famosos se mudaram para lá. Lindo, né? Não para os 40 mil australianos presos no exterior. O país está com as fronteiras fechadas, pois sabe que, se abrir geral, danou-se. Pois é. A luta da humanidade contra o coronavírus ainda está nos primeiros rounds. 

Não vai fazer sol tão cedo.

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