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Bruno Garattoni Vencedor de 12 prêmios de Jornalismo. Editor da SUPER.

Cápsula espacial da Boeing volta à Terra após fracasso em missão

Por Bruno Garattoni - Atualizado em 23 dez 2019, 16h58 - Publicado em 23 dez 2019, 15h08

Starliner deveria ter ficado uma semana em órbita e acoplado com a Estação Espacial Internacional; erro em relógio interno confundiu os sistemas de controle de voo 

Na sexta-feira, dia 20/12, um foguete Atlas V lançado do Cabo Canaveral, na Flórida, levou ao espaço a cápsula CST-100 Starliner, que está sendo desenvolvida pela Boeing para transportar astronautas e carga. Era um voo de teste da Starliner, que não carregava ninguém a bordo – e, se tudo tivesse dado certo, deveria ter se acoplado à Estação Espacial Internacional (ISS) no sábado. A cápsula e a ISS ficariam juntas por uma semana, e aí a Starliner começaria a viagem de volta, caindo na Terra na madrugada de 28 de dezembro. Mas não foi isso o que aconteceu. 

Ao se separar do foguete Atlas V, 31 minutos após o lançamento, a Starliner deveria ter acionado seus próprios propulsores para um ajuste de curso. Ela até fez isso, mas de forma incorreta: gastou combustível demais, e entrou numa trajetória incorreta. Segundo a Boeing, isso aconteceu por um problema no relógio interno da cápsula – a Starliner achou que estava em outro momento da missão, e executou a manobra que estava programada para ele. 

Os controladores da missão, no Cabo Canaveral, perceberam o que havia ocorrido e tentaram corrigir manualmente a trajetória da cápsula, mas não conseguiram. Por isso, tomaram a decisão de abortar a missão e trazer de volta a Starliner – que aterrissou domingo em uma base militar no Novo México (EUA), com a queda amortecida por três paraquedas e seis airbags. 

Se a cápsula estivesse transportando astronautas, eles provavelmente teriam sido capazes de desligar o piloto automático e corrigir a trajetória da Starliner, que chegaria à ISS. Ou seja: a anomalia não representa uma falha de segurança. Mas é mais um revés no pior ano da história da Boeing, que além da crise envolvendo o avião 737 Max também sofreu uma falha durante um teste estrutural do 777X, seu próximo lançamento, e a acusação de um ex-engenheiro da empresa, que disse ter encontrado defeitos nas máscaras de oxigênio do 787.

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