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Bruno Garattoni Por Bruno Garattoni Vencedor de 12 prêmios de Jornalismo. Editor da SUPER.

“Ratchet & Clank” demonstra poder gráfico do PlayStation 5 – e marca real início da nova geração

Por Bruno Garattoni Atualizado em 8 jun 2021, 15h06 - Publicado em 8 jun 2021, 13h39

Game dá um passo à frente e se aproxima da qualidade gráfica de filmes de animação; veja trechos e leia review

Ao apresentar o primeiro PlayStation, em 1994, a Sony exibiu um vídeo em que o console renderizava um dinossauro 3D em tempo real. Era uma óbvia referência ao filme Jurassic Park, lançado poucos anos antes, e uma afirmação: o PlayStation conseguia gerar gráficos 3D com qualidade similar a dos filmes. A meta da Sony era que sua máquina fosse tão potente quanto a Silicon Graphics Onyx, uma workstation de US$ 100 mil usada para fazer efeitos especiais em Hollywood. Só que os filmes não eram, e não são, feitos só nesses computadores: depois que os artistas constroem os objetos e cenários tridimensionais em seus PCs, os gráficos propriamente ditos são gerados por “fazendas” com milhares de servidores, que levam meses para renderizar um filme.  

É por isso que os games não têm a mesma qualidade visual de um filme da Pixar, por exemplo (não dá para comparar um console, que precisa gerar os gráficos em tempo real usando uma CPU e uma GPU, com uma armada de processadores trabalhando offline por longos períodos). Mas Ratchet & Clank: em uma outra dimensão, game de PlayStation 5 que será lançado nesta sexta-feira, chega lá. Em alguns momentos, as animações dos personagens alcançam qualidade de filme.

Não me refiro às cutscenes (ou cinematics), aqueles filminhos não-interativos que conectam as sequências de ação e são renderizados previamente em servidores. É o jogo propriamente dito. Veja um exemplo (se possível, com o vídeo em tela cheia e máxima resolução):

Repare nos movimentos dos personagens: a quantidade de detalhes, a qualidade das texturas e a fluidez dos movimentos são típicos de uma animação, não de um game. Os cenários, a iluminação e o número de elementos simultâneos na tela também impressionam, estão um passo à frente de qualquer outro game. Outros dois exemplos:

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Se você não se convenceu, ou simplesmente quer ver mais, neste link tem uma demonstração de 16 minutos.

Sempre que começa uma nova geração de consoles, todo mundo fica se perguntando o quão melhor ela é, na prática, em relação à anterior – ou seja, quão mais bonitos e visualmente intensos os jogos são. O PlayStation 5 já se provou em alguns momentos (a primeira fase de Spiderman: Miles Morales, em especial, impressiona), mas o fato é que os desenvolvedores de games precisam de tempo para entender e dominar qualquer console – os jogos lançados no fim do ciclo do PlayStation 4, como Death Stranding e o extraordinário The Last of Us: Part II, nem se comparam aos que saíram quando o console nasceu, em 2013. Sua qualidade visual é muito superior. 

O novo Ratchet & Clank acelera esse processo, e alcança um nível técnico que o PS5 só deveria atingir daqui a alguns anos. Ao jogá-lo, você fica frequentemente encantado com os gráficos – a ponto de querer capturar gravações para rever e mostrar aos amigos. E sem fôlego depois de vencer as maiores batalhas, com dezenas de objetos, partículas e inimigos voando na tela ao mesmo tempo. Fica claro que tem em mãos uma experiência da nova geração, bem acima do que o PS4 conseguiria fazer. 

Isso também é evidente no controle. Ratchet & Clank usa muito bem os gatilhos adaptáveis e a resposta háptica do joystick DualSense: cada arma reage com vibrações diferentes quando é disparada (e o gatilho fica “murcho” quando a munição acaba). O resultado é excelente – chega a ser melhor que o do shooter Call of Duty: Cold War.

Já o enredo do game é simplório, e secundário. Você controla Ratchet e Rivet, os dois protagonistas, que atravessam cenários derrotando inimigos (e têm a companhia do robô Clank). A história não é lá muito bem desenvolvida, exceto por um elemento-chave: os universos paralelos. Durante as fases, de vez em quando você precisa pular de uma dimensão para outra, o que muda os cenários e as maneiras de transpô-los. Não é uma inversão de sentidos alucinante e genial, como em Super Mario Galaxy, mas é interessante e ajuda a variar um pouco o estilo do jogo – que, dependendo do ritmo, dura 18 a 20 horas. 

Poderia ser mais. É uma quantidade de conteúdo ok, comparável à de outros jogos triple-A (de alto orçamento). Mas Ratchet & Clank: em uma outra dimensão é uma experiência tão agradável e envolvente, e tecnicamente tão impressionante, que dá saudades ao terminar. É daqueles games que você fica até meio triste quando acabam – por saber que levará tempo até que apareça outro jogo tão bom assim. 

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