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Retrospectiva 2013: 10 músicas do ano

Por Redação Super - Atualizado em 21 dez 2016, 09h23 - Publicado em 10 dez 2013, 18h59

Por Marcelo Costa, do Scream & Yell

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10. “Across the Sea”, Selton

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Eles são gaúchos, montaram a banda em Barcelona para tocar na rua e fizeram um enorme sucesso… na Itália. A história da Selton é repleta de curiosidades que amplificam a qualidade de “Saudade”, terceiro disco do quarteto, lançado em 2013, um álbum de brasileiros que redescobrem o Brasil vivendo em terra estrangeira enquanto são influenciados pela música do mundo (no geral, e do Brooklyn, nos Estados Unidos, em particular). A pegajosa “Across The Sea” foca no tema do cidadão estrangeiro ao narrar aventuras de um pirata apaixonado – enquanto cita “Marinheiro Só”. Uma canção para embalar o verão.

 

9. “Little Black Dress”, One Direction

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Uma lista de canções de 2013 focada apenas no sucesso provavelmente incluiria “Best Song Ever” e “Story Of My Life”, dois singles do One Direction que ecoaram pelas paradas planeta afora, mas aqui vamos optar por uma terceria via, a da excelência sonora tão facilmente conquistável de “Little Black Dress”, uma pequena pérola perdida no trecho final do álbum “Midnight Memories” (2013) que clona (e bem) a sonoridade do Big Star e serve de alento enquanto um novo álbum do Teenage Fanclub não chega.

 

8. “Porcelana”, Nevilton

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“Sacode”, segundo álbum do trio catarinense Nevilton, produzido por Carlos Eduardo Miranda, mostra uma banda coesa e firme em sua proposta de conceder ao rock’n roll um sotaque brasileiro, e dentre as várias canções do álbum que poderiam exemplificar essa busca, uma pequena obra-prima, “Porcelana”, uma canção que nasceu como moda de viola em homenagem ao avó falecido do guitarrista, e em estúdio se transformou em um poderoso rock, de pegada pesada, guitarras cortantes e refrão emocional.

 

7. “Why’d You Only Call Me When You’re High?”, Arctic Monkeys

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É complicado destacar uma música de “AM”, quinto disco dos Monkeys, tamanha a unidade do álbum, uma ode aos romances adolescentes, e, neste caso, “Why’d You Only Call Me When You’re High?” pula à frente devido ao retrato genial que Alex Turner faz de um cara que só liga para sua garota quando está chapado. O ótimo clipe (que ainda traz outra canção do álbum) ajuda a amplificar o clima.

 

6. “Rosa”, Wado

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Produzido por Marcelo Camelo, “Vazio Tropical” causou certo estranhamento naqueles que acompanham o trabalho de Wado, que parece abduzido pela produção esvaziada do ex-Los Hermanos. Porém, “Rosa”, parceria com Cícero, traz Wado em um de seus melhores momentos em toda a sua carreira: “Os olhos dela ensinam estrelas a brilhar, vai doer / Os braços dela ensinam ondas a quebrar, vai doer / Vai doer, mas depois vai passar”. A dor está intrinsicamente ligada ao amor. Vai doer, mas depois vai passar, resume uma letra que guarda certo parentesco com “Canto de Ossanha”, de Vinicius de Moraes e Baden Powell: “Vai, vai, vai, amar”.

 

5. “Ya Hey”, Vampire Weekend

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Responsável por um dos grandes álbuns de 2013, “Modern Vampires of the City”, o Vampire Weekend blasfema contra Deus (e a própria América) em uma canção cuja batida, melodia e vocais contagiantes poderiam ser um presente de um Brian Wilson nascido nos anos 90 ao Todo Poderoso. O título da canção é baseado no nome hebraico para Deus, geralmente pronunciado Yahweh, e também é uma inversão do título do hit “Hey Ya!”, de Outkast. Quase uma prece ateística que fracassou nas paradas, mas merece lugar em um mundo que ferve em chamas.

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4. “Hoje Cedo”, Emicida + Pitty

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Classudo dueto do rapper com a cantora Pitty, “Hoje Cedo” está presente no primeiro disco cheio de Emicida, “O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui”, e ataca com voracidade o uso de drogas e a força do capitalismo enquanto rememora Racionais MCs (“Você pode sair da favela, mas a favela nunca vai sair de você”), entre outras coisas: “A sociedade vende Jesus, por que não ia vender rap”, define com esperteza Emicida em uma das grandes canções do ano.

 

3. “Royals”, Lorde

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A grande revelação internacional de 2013 tem apenas 17 anos, mas conseguiu colocar “Royals”, a música, no topo das paradas em dezenas de países do mundo. Tematicante, “Royals” poderia ser uma irmã (menos cínica) de “Gangnam Style”, hit inconteste de 2012 que criticava comicamente o modo de vida consumista da região do distrito de Gangnam, na Coreia do Sul. A garota Lorde, por sua vez, crítica o mundo pop repleto de referencias capitalistas em canções que falam “sobre dentes de ouro, usar drogas no banheiro, champagne, carrões” enquanto, com um tom de voz que emula Lana Del Rey (embalada por um coral soul), avisa que “esse tipo de luxo não é pra gente”. Será que o sucesso fez com que ela mudasse de opinião?

 

2. “Show das Poderosas”, Anitta

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No momento em que essa frase é escrita, “Show das Poderosas” soma 67 milhões de visualizações no Youtube – e contando. Há muita gente que não gosta de Anitta, recusando o popular como se canção pop fosse doença, mas há qualidades inegáveis em “Show das Poderosas”, uma daquelas canções que (ab)usam uma receita danada de eficaz, que une uma batida dançante com uma letra que valoriza a palavra de ordem “Pre-pa-ra”, que virou bordão popular enquanto o clipe, em preto e branco, é carregado de sensualidade. Não teve pra ninguém: o nome nacional de 2013 foi Anitta.

 

1. “Reflektor”, Arcade Fire

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“Reflektor”, o disco, dividiu opiniões: uns acharam dançante e perfeito enquanto outros não conseguiram chegar ao final do álbum, acusando tédio e sono na segunda metade do disco. Porém, de uma coisa todos precisam concordar: “Reflektor”, a música, é uma baita canção pop. Com apoio de James Murphy (LCD Soundsystem) e vocais de David Bowie, “Reflektor” soma quase oito minutos deliciosamente dançantes como o Arcade Fire nunca havia soado até então, chocando o hedonismo da melodia com a perdição do personagem da letra. E os dois clipes que a canção ganhou são geniais.

 

O grande hit – Daft Punk feat. Pharrell and Nile Rodgers – “Get Lucky”

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Se fosse só Daft Punk preparando um single avassalador, já seria complicado competir, mas eis que eles juntam Pharrell e Nile Rodgers numa canção de refrão inesquecível que paga tributo aos anos 70, e que demorou 18 meses para ser finalizada. A sensação, porém, é de eternidade: parece que “Get Lucky” esteve sempre presente nas rádios, um clássico inconteste que não só entra no rol das grandes canções do ano, como se transforma em uma música atemporal tanto para presente como passado. Pode anotar: dezenas de festas serão embaladas por “Get Lucky” de 2013 em diante.

 

O Brasil de 2013 – Apanhador Só – “Despirocar”

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O ano em que o Brasil foi para as ruas precisava de uma trilha sonora adequada, e “Antes Que Tu Conte Outra”, segundo álbum dos gaúchos da Apanhador Só, é o é álbum perfeito, gestado durante o período violento de manifestações que acometeu Porto Alegre no final de 2012, e lançado na surdina em 2013 enquanto manifestantes se preparavam para lançar fósforos em barris de gasolina. São várias as canções que retratam o momento imperfeito da nação (e do próprio brasileiro), e “Despirocar” é uma das mais emblemáticas.

 

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