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Dá para espantar mosquitos usando som?

Por Rafael Battaglia - Atualizado em 6 fev 2020, 13h17 - Publicado em 26 fev 2019, 17h13

Ian Matos, via Instagram

É melhor continuar usando repelente, Ian. Não existem estudos científicos que provem a eficácia de dispositivos que emitem sons para afastar os insetos.

Mas dá para atraí-los. Uma das técnicas desenvolvidas nessa linha foi um aparelho que imita o som que as fêmeas do Aedes aegypti, o mosquito da dengue, fazem ao bater as asas. O barulho é recebido pelos machos por meio do “órgão de Johnston” –  não, não é o que você está pensando; é o ouvido do mosquito, que fica na base das antenas e é responsável por reconhecer vibrações sonoras.

Os machos, então, voam para o lugar onde acham que as fêmeas estão. Isso é bem mais útil do que parece. Um dos esforços para diminuir a transmissão da dengue é soltar mosquitos geneticamente modificados no ambiente – com uma alteração que não deixa o inseto carregar o vírus da dengue.

O pessoal, então, solta os mosquitos modificados na natureza na expectativa de que eles se reproduzam e, com o tempo, suas populações suplantem a de mosquitos dengosos. A ideia de reunir um monte de mosquitos machos, então, serve como um senso demográfico: os pesquisadores capturam os mosquitos e checam qual é a prevalência da mutação genética anti-dengue entre os nossos (muy) amigos Aedes.

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Dessa forma, os cientistas podem monitorar se os esforços para diminuir a transmissão da dengue estão funcionando. Alguns insetos são soltos no ambiente com uma bactéria modificada geneticamente que inibe o vírus da dengue. O controle e acompanhamento são importantes para saber se estes indivíduos estão se mantendo ou não.

Por ora, melhor ficar com as armadilhas de lâmpadas UV ou com os repelentes mesmo. Só lembre de passar em todas as áreas do corpo expostas. Sim, tem que ser de maneira homogênea.

Fonte: Maria Anice Mureb Sallum, entomóloga da Faculdade de Saúde Pública da USP.

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