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Supernovas Por Blog Das maiores galáxias ao interior das células, as descobertas da ciência que vão mudar a sua vida – ou pelo menos te deixar com uma pulga atrás da orelha. Por Bruno Vaiano

Dá para saber o que acontece num buraco negro

Por Fabio Marton Buraco negro na galáxia NGC 3783 [Crédito: ESO/M. Kornmesser] Um paradoxo de 40 anos, que assombrava os astrofísicos, acaba de ser resolvido. Em 1975, Stephen Hawking afirmou que buracos negros emitem energia até desaparecerem, mas essa energia nos impede de saber o que acontece dentro deles. É a “perda de informação” – […]

Por Redação Super Atualizado em 21 dez 2016, 09h08 - Publicado em 9 abr 2015, 22h29

Por Fabio Marton

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Buraco negro na galáxia NGC 3783
[Crédito: ESO/M. Kornmesser]

Um paradoxo de 40 anos, que assombrava os astrofísicos, acaba de ser resolvido. Em 1975, Stephen Hawking afirmou que buracos negros emitem energia até desaparecerem, mas essa energia nos impede de saber o que acontece dentro deles. É a “perda de informação” – a informação, no caso, tudo o que se refere à matéria e energia dentro do buraco negro. O que caía lá dentro estaria para sempre perdido.

Isso era um paradoxo, porque a mecânica quântica afirma que a informação nunca pode ser perdida – seria sempre possível determinar como um sistema começou sabendo-se como termina.

O astrofísico Dejan Stojkovic, da Universidade de Buffalo (EUA), acredita ter resolvido a charada – e, de quebra, esclarecido o roteiro de Interestelar. Ele é o autor de um novo modelo matemático, segundo o qual as partículas emitidas por um buraco negro permitem sim saber, entre outras coisas, qual o objeto que o formou e as características da matéria e energia que absorveu.

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O cientista notou que não basta observar quais partículas são emitidas, mas as interações sutis entre elas, como a troca de fótons ou a atração gravitacional. Segundo o Stojkovic, isso era considerado insignificante pela maioria dos pesquisadores até agora. “Nos cálculos explícitos mostram que, mesmo que as interações comecem bem pequenas, elas aumentam com o tempo e se tornam grandes o suficientes para mudar os resultados”, afirmou.

ATUALIZAÇÃO (10/04/2015): Muitos leitores pareceram perplexos com a notícia. Alguns disseram não ter entendido, outros pareciam esperar que fosse ser dito o que está, de fato, num buraco negro. Então vamos nos estender um pouco mais.

Os cálculos de Stojkovic têm um enorme potencial. Eles abrem caminho para que outros cientistas comecem a entender de fato o que está dentro dos buracos negros através de observações, o que até agora parecia impossível. Nada escapa de um buraco negro – exceto, se ele está correto, a informação. Isso os torna bem menos misteriosos.

Por enquanto, é um “dá para saber”, não “sabemos”. Mas as consequências disso podem ser imensas. Por exemplo, acredita-se que buracos negros contém em seu interior uma singularidade, uma imensidão de matéria condensada num ponto ínfimo, como o próprio universo em seu princípio. Entendê-los pode ajudar a explicar a origem de tudo. Existe até a teoria que, do outro lado do buraco negro, há um “buraco branco” – que cria um universo novo em outra dimensão.

Semana que vem, falaremos mais sobre buracos negros e por que a descoberta de Stojkovic pode ser revolucionária.

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