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4 notícias que parecem primeiro de abril — mas não são

A banana azul sabor baunilha, uma zebra loira, mosquitos fãs de música eletrônica e mais.

1º de Abril é dia oficial de soltar piadinhas — ruins. E isso inclui até veículos jornalísticos. Esse ano tivemos capa falsa, combate a fake news e sites teens causando um susto em seus seguidores nas redes sociais.

Mas aqui vamos fazer diferente: só notícias reais sobre ciência, mas que parecem mentiras dignas da data. Confira:

Existe banana azul com textura de sorvete e sabor de baunilha

Não, não é um banana split sabor tutti-frutti. Mas também não é um bananão azul que você pode comprar em qualquer supermercado por aí. Na verdade, a Blue java só possui sua característica cor azulada enquanto ainda não está madura (ao invés de verde, nessa período ela é azul).

A espécie é bem doce naturalmente, com indiscutível sabor baunilha. Quando madura, sua polpa tem uma consistência cremosa e macia, que acaba derretendo na boca — daí sua “textura de sorvete”. Mas, acredite, por mais pecaminosas que pareçam, as “bananas azuis” não contêm adoçantes, ou aditivos artificiais. Elas nascem assim.

Na verdade, das mais de 1000 espécies de bananas existentes, muitas se originaram do cruzamento entre as duas espécies selvagens Musa acuminata e Musa balbisiana. Os nomes dessas variedades “filhas” são seguidos pelos apêndices A (acuminata) e/ou B (balbisiana), de acordo com a origem dos genomas originais. A banana azul (também conhecida como “Ney Mannan”, “Krie”, ou “Cenizo”) faz parte do grupo genômico ABB, e cientistas acreditam que ela acabou herdando os genes mais “doces” de seus pais.

A espécie não é nova: segundo Ken Love, diretor-executivo dos produtores de frutas tropicais do Havaí, agricultores cultivam esses doces frutos no país desde o início dos anos 20. No Brasil, não há registro de plantação de Blue java, segundo a Embrapa. Mas, os curiosos podem adquirir umas mudas online.

Dubstep pode agir como repelente para mosquitos

Haters dirão que o som duvidoso repele não só mosquitos. Mas, a relação da música eletrônica com esses artrópodes não resulta só de gosto musical — ela foi comprovada cientificamente. De acordo com um artigo científico publicado no periódico Acta Tropica, ouvir esse estilo de canção pode evitar picadas de mosquitos. Especificamente, essa é uma boa notícia para os fãs do artista americano Skrillex.

Isso porque o som é “crucial para a reprodução, sobrevivência e manutenção da população de muitos animais”, disse, no artigo, a equipe de cientistas internacionais autores do estudo — que são especialistas em mosquitos e doenças que eles carregam. “Nos insetos, as vibrações de baixa freqüência facilitam as interações sexuais, enquanto o ruído interrompe a percepção de sinais de membros da mesma espécie e hospedeiros”, explicam.

Para testar como os bichos reagiam a música eletrônica, eles submeteram adultos da espécie Aedes aegypti, o mosquito da dengue (que também transmite febre amarela, zica e chikungunya) ao som. A música Scary Monsters And Nice Sprites, uma faixa do álbum homônimo e vencedor do Grammy do Skrillex, foi escolhida para o teste por causa de sua mistura de frequências muito altas e muito baixas.

Resultado: os mosquitos adultos do sexo feminino ficaram confusos com as diferentes vibrações e acabaram “entretidos” pela melodia. Por isso, atacaram seus possíveis hospedeiros mais tarde e com menos frequência do que aqueles em um ambiente livre de dubstep. Além disso, os cientistas também descobriram que os mosquitos expostos à música faziam sexo “com muito menos freqüência” do que os mosquitos sem música.

“A observação de que tal música pode atrasar o ataque do hospedeiro, reduzir a alimentação sanguínea e interromper o acasalamento fornece novos caminhos para o desenvolvimento de medidas de proteção e controle pessoal baseadas na música contra as doenças transmitidas pelo Aedes.”

Quando for para uma área de risco, não esqueça sua caixinha de som — e um pendrive com o álbum do Skrillex.

Nasce uma zebra “loira” na África

A notícia mais fofa dessa coletânea é daquelas que provam o clichê de que não existem limites para a natureza. Na verdade, essa zebra “loira” nada mais é que um animal com albinismo parcial. Mas o que impressionou os cientistas é o fato dela sobreviver normalmente na vida selvagem.

Antes disso, os estudiosos acreditavam que zebras com essa anomalia não conseguiriam chegar a idade adulta por alguns motivos. Além de o corpo com pouca melanina sofrer por conta dos raios de sol constantes nos espaços abertos em que elas vivem, o principal problema estaria no não reconhecimento do indivíduo pelo grupo.

As listras das zebras são como RGs, cada uma tem seu desenho próprio, que o identifica. Mas, por conta da diferença gritante de cor, os cientistas temiam que zebras albinas não fossem aceitas pelo bando — e viver em grupo é um método testado e aprovado contra predadores.

Mas, essa zebra “loira” encontrada na Tanzânia confirma que os animais albinos são muito bem aceitos pelos seus colegas tradicionalmente vestidos.

A descoberta aconteceu por acaso: Sergio Pitamitz, um fotógrafo da National Geographic, estava fotografando na Tanzânia na esperança de capturar algumas imagens de zebras migratórias. Mas, o que ele acabou encontrando foi um flash loiro na multidão listrada de preto e branco. Ele viu um animal raro, branco e dourado, dando um passo à frente de seu rebanho para tomar água. 

“No começo, pensei que fosse uma zebra que rolou na poeira”, disse Pitamitz à National Geographic. Mas a “poeira” não lavou na água, e ele percebeu que estava olhando para uma genuína “zebra de ouro”. Em cativeiro, existe um pequeno rebanho dessa zebras loiras em uma reserva privada, no Parque Nacional do Monte Quênia. Mas é um vitória saber que podem ter várias delas soltas pela natureza.

Bebida que não dá ressaca está sendo produzida

Você só lamenta o fato de ter exagerado na bebedeira quando a famosa ressaca aparece. Mas imagine o quão incrível seria beber e não ter a sensação de que sua cabeça vai explodir no dia seguinte? Acredite, esse futuro pode estar mais próximo do que imaginamos.

Um cientistas britânico chamado David Nutt, diretor do centro de neuropsicofarmacologia do Imperial College London, contou ao jornal The Guardian que criou um “álcool sintético”. Essa substância milagrosa possui os mesmo efeitos do álcool comum, mas não dá ressaca, não lesiona fígado e — de acordo com expectativas otimistas de seu autor — pode substituir todas as bebidas convencionais até 2050.

Batizada de “Alcarelle”, Nutt ainda mantem sua fórmula de álcool “livre de ressaca” em segredo; ele mencionou a existência, porém, de um composto que é tão relaxante e desinibidor como o álcool, mas não causa perda da coordenação. Segundo o cientista, ele e seus colegas já produzem a substância regularmente, mas a parte regulatória governamental é o que barra a bebida milagrosa de chegar às prateleiras. Antes de ir para os botecos, o Alcarelle vai passar por muitas e muitas etapas de teste. Isso tudo, no entanto, já é um fio de esperança de que a ressaca está com os dias contados.