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5 técnicas da neurociência para memorizar qualquer coisa

Não quer mais esquecer prazos, nomes, datas, informações? Confira dicas da ciência para aguçar a sua capacidade de recordar

Por Claudia Gasparini, de Exame.com 10 jul 2017, 11h58

Por mais que tenhamos a ajuda de smartphones, tablets e celulares, nenhum hardware é mais valioso para a rotina do que o cérebro.

No entanto, é justamente a memória uma das funções cognitivas mais prejudicadas pela sobrecarga de informações trazida pela tecnologia. Perdidos em um oceano de estímulos, acabamos esquecendo cada vez mais facilmente nomes, datas, prazos e informações.

O esquecimento prejudica o sucesso de qualquer profissional, mas para quem precisa memorizar conteúdos específicos, como é o caso de candidatos a concursos públicos, o preço é ainda mais alto. 
Mas há um alento: não faltam recursos e técnicas para recuperar a capacidade de se lembrar. Se você procura conselhos nesse sentido, a neurociência pode ajudar. Confira a seguir 5 métodos inspirados por descobertas científicas para facilitar a fixação de qualquer informação:

1. Brinque de professor com um amigo

Você só vai memorizar uma informação se fizer algo de prático com ela, diz em palestra do TED o professor Peter Doolittle, da Universidade Virginia Tech.

Uma das melhores maneiras de fazer isso é explicar aquele conteúdo para uma outra pessoa, como um amigo que está estudando para o mesmo concurso público que você, por exemplo. Para dar sua “aula”, você precisará organizar, filtrar e reproduzir a informação, o que facilita a memorização.

Um par de artigos publicados em 2007 nos periódicos acadêmicos Science e Intelligence traz uma possível evidência desse fato. Segundo os estudos, os filhos primogênitos em média têm QI mais alto do que os caçulas. A razão? Provavelmente porque eles passaram boa parte da infância ensinando diversas coisas para seus irmãos mais novos. 

2. Brinque de professor consigo mesmo

Não há nenhuma pessoa disponível para ouvir a sua “aula” sobre o conteúdo que precisa memorizar? Sem problemas, você pode fazer isso sozinho.

Para tornar esse exercício solitário mais estimulante, faça perguntas a si mesmo sobre o material. Especialistas em educação da Universidade de Michigan recomendam parar de vez em quando a leitura de uma apostila, por exemplo, e se questionar: “Quais são as informações principais deste trecho?”. Falar em voz alta, seja para fazer perguntas, seja para respondê-las a si mesmo, ajuda muito.

Um trabalho publicado em 2010 no Journal of Experimental Psychology indica que a produção oral tem impacto significativo sobre a retenção de informações. Os estudiosos fizeram o seguinte experimento: Diante de uma lista de palavras, os participantes tiveram que ler metade em voz alta e metade em silêncio. Em seguida, tiveram que recordar o maior número possível de itens que haviam lido. Aqueles que haviam sido pronunciados foram muito mais lembrados do que os que haviam sido lidos sem a emissão de qualquer som.

  • 3. Pegue lápis e papel

    Em tempos dominados por computadores e smartphones, cada vez menos pessoas cultivam o hábito de registrar informações à mão. O antigo método, contudo, é excelente para a memorização.

    Ao usar o teclado ou a tela touch de um celular, processamos a escrita de forma mais superficial do que quando desenhamos as palavras com um lápis, dizem estudiosos das universidades de Princeton e da Califórnia.  

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    Então, pode esquecer o Word: da próxima vez que precisar decorar alguma coisa, procure um bom pedaço de papel. Tanto faz se você vai escrever um texto corrido ou desenhar um esquema com flechas. O importante é transformar a informação a ser gravada em um registro manuscrito.

    4. Pense como um pintor surrealista

    Um bom método para facilitar a retenção de uma informação é visualizá-la em um contexto inusitado, engraçado ou até surreal. Para compreender isso, imagine que você precisa decorar o nome de uma pessoa que você acabou de conhecer em um evento de networking: Joana Pontes, por exemplo.

    Tente imaginar esse sobrenome, Pontes, dentro do rosto de Joana, sugere o especialista em memória Chris Moulin ao site The Mirror: pode uma ponte entre a orelha e a boca, por exemplo, ou alguma outra imagem digna de um quadro de Salvador Dalí.

    Parece loucura? Pensar como um pintor surrealista, na verdade, pode ser bastante útil. Segundo Carla Tieppo, neurocientista e professora da Santa Casa de São Paulo, quanto mais nos espantarmos com uma imagem mental, mais chances ela terá de ser absorvida pelo cérebro de forma duradoura.

  • 5. Transforme tudo em música

    Já parou para contar a quantidade de canções que você sabe de cor? Tem ideia de como as letras ficaram gravadas com tanta facilidade no seu cérebro? O segredo é a melodia por trás delas.

    Não é por outro motivo que os professores de cursinho adoram criar paródias musicais para transmitir temas como a tabela periódica dos elementos químicos. Quanto envolta em melodia, qualquer informação pode ser gravada mais facilmente.

    Um estudo de pesquisadores americanos e alemães mostrou que a criação de um padrão ritmo e melódico é um excelente auxiliar das funções cognitivas. Um experimento com portadores de esclerose múltipla sugere que o estímulo musical incrementa a “codificação profunda” durante o aprendizado verbal.

    Seja para memorizar uma informação nova, seja para ser mais produtivo no trabalhoa audição de música tem efeitos surpreendentes. “Ela faz algo provavelmente único: estimula o cérebro de um modo poderoso a partir da nossa conexão emocional com ela”, resume a neuropsicóloga Catherine Loveday ao site do jornal The Guardian.

     

    Este conteúdo foi publicado originalmente em Exame.com

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