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7 cientistas que não souberam a hora de parar com os trocadilhos

Títulos de artigos científicos estão cheios de gracinhas – que, segundo a própria ciência, não garantem mais cliques (pelo contrário, são um tiro no pé)

Artigos científicos costumam ter títulos sérios e monótonos. Mas às vezes os pesquisadores decidem brincar com o perigo e fazer trocadilhos infames na primeira página de periódicos consagrados. Em princípio, não adianta muita coisa: um estudo de 2008 revelou que as chamadas que são engraçadinhas até um limite aceitável não melhoram a audiência dos artigos de forma notável. E que as que passam dos limites acabam recebendo menos acessos que a média.

Seja como for, esses impulsos criativos ainda podem render risadas – ou, se você não gosta de piadas infantis, uma expressão incrédula no rosto. A maior parte deles, não por coincidência, é escatológica (ou pelo menos envolve gás de alguma maneira). Divirta-se:

Getting to the bottom of anal evolution

Tradução: Indo até o fundo da evolução anal

Resumo da ópera: Um compêndio do material científico disponível sobre a evolução desse orifício útil e prático disponível no trato digestório de vários organismos vivos. Vai da saída única das águas-vivas ao tubo com começo e fim do ser humano. Infelizmente não inclui um dicionário de sinônimos.

Guess who’s not coming to dinner? Evaluating online restaurant reservations for disease surveillance

Tradução: Adivinha quem não vem jantar? Usando reservas de restaurantes online para acompanhamento de doenças.

Resumo da ópera: A ideia do artigo é muito simples. Se muita gente está cancelando reservas em restaurantes de um determinado bairro ou cidade, é provável que a culpada seja uma pequena epidemia. Tiro e queda: na prática, a correlação entre doenças e restaurantes vazios foi verificada em 70% dos casos. Embora seja (muito!) tentador pensar que a doença em questão tem a ver com o estômago, o estudo usou o vírus da gripe de referência. Que pena. 

Chemical processes in the deep interior of Uranus

Tradução: Processos químicos no interior profundo de Uranus (Your. Anus. Mantivemos o nome do planeta em inglês para não ter que explicar a piada).

Resumo da ópera: a SUPER tem a ligeira impressão de que você já sabe que processos são esses. Como, por exemplo, a formação de grandes acúmulos de carbono e nitrogênio. 

Practice makes perfect. Rectal foreign bodies

Tradução: A prática faz a perfeição: corpos estranhos retais.

Resumo da ópera: pode rir. Mas se houvesse um corpo estranho não autorizado no seu reto, você gostaria que o médico do pronto socorro tivesse muita prática, não? O artigo foi escrito por profissionais do centro de tratamento de urgência de um hospital em Somerset, na Inglaterra. E eles aparentemente sabem o que estão fazendo.

Factitious diarrhea: a case of watery deception.

Tradução: Diarreia facciosa: um caso de engodo aquoso

Resumo da ópera: há pessoas que têm sintomas de diarreia sem ter contraído a doença – o motivo, como você pode imaginar, é o abuso de laxantes. O estudo é um levantamento sobre essa prática nada aromática, por trás da qual podem estar problemas psicológicos mais sérios que o título do artigo.

Nitric oxide and inflammation: The answer is blowing in the wind

Tradução: Óxido nítrico e inflamação: a resposta está soprando ao vento

Resumo da ópera: gases. Problemas intestinais. Vento. Até que faz sentido, ainda que de um jeito estranho. Esse foi o primeiro de dezenas de títulos inspirados por Bob Dylan que uma equipe de médicos particularmente folk do Instituto Karolinska, na Suécia, conseguiu emplacar em revistas consagradas como a Nature. Eles têm até uma foto com LPs do compositor e prêmio Nobel. Não é fofo?

 

Carbon monoxide: to boldly go where NO has gone before.

Tradução: Monóxido de carbono: audaciosamente indo onde o NO (óxido nítrico) já esteve.

Resumo da ópera: essa é só para quem é muito (muito!) nerd. No final da década de 1960, a abertura do seriado de ficção científica Star Trek tinha um locutor à moda antiga lendo frases de efeito. Uma delas era to boldly go where no man has gone before – que, na versão brasileira ficou “audaciosamente indo onde nenhum homem jamais esteve”. Como o artigo científico discute justamente a substituição do óxido nítrico (NO) por monóxido de carbono (CO) em várias aplicações, o título não poderia ser mais adequado.

 

Comentários

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