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A constelação de Órion está prestes a perder sua estrela mais brilhante

Betelgeuse pode explodir em uma supernova a qualquer momento — daqui 100 mil anos ou hoje mesmo. Astrônomos estão em alerta após uma queda no seu brilho.

Por A. J. Oliveira - Atualizado em 2 jan 2020, 18h49 - Publicado em 27 dez 2019, 19h38

Órion, o caçador, em breve vai perder seu ombro direito. A constelação icônica – cujo cinturão é formado pelas Três Marias – está fadada a perder sua estrela mais brilhante, Alpha Orionis (também conhecida como Betelgeuse), desaparecer. Essa estrela colossal a 700 anos-luz da Terra tem 12 vezes a massa do Sol e é cotada para explodir em uma supernova a qualquer momento. 

Ela está entre as principais candidatas a acabar com a seca de supernovas da Via Láctea: a última explosão estelar violenta desse tipo ocorreu em 1604 e foi observada por ninguém menos que o mítico astrônomo Johannes Kepler. Pelas contas dos especialistas, já passou da hora de o fenômeno raro que marca o fim da vida das estrelas muito massivas ocorrer de novo nas nossas redondezas galácticas. E Betelgeuse dá indícios suspeitos.

Em dezembro, a comunidade astronômica começou a notar que sua magnitude (o brilho) tinha sofrido uma redução considerável. Não que isso seja algo anormal para essa estrela gigante vermelha: sabe-se que ela tem o brilho variável desde 1836. Mas uma queda assim, tão intensa e abrupta, é a primeira no século 21. Por isso os astrônomos estão em estado de alerta, na expectativa de que o ombro de Órion esteja finalmente explodindo.

A verdade é que Betelgeuse é uma bomba relógio com um timer surpresa: é certeza que ela vai explodir e que não vai demorar muito (na escala cósmica), mas não há como prever quando exatamente a supernova vai acontecer. Pode ser daqui a 100 mil anos ou hoje à noite. É um sol tão grande e inchado que, se fosse colocado no centro de nosso Sistema Solar, chegaria para além da órbita de Júpiter. 

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Estrelas são bolas de hidrogênio que deveriam colapsar por causa da gravidade, mas mantém-se estáveis porque o elemento é fundido no núcleo para gerar átomos de hélio – um processo que expele energia para fora. Supernovas acontecem quando uma estrela funde elementos cada vez mais pesados até chegar no ferro – que não serve de combustível. A gravidade vence o cabo de guerra e o astro entra em colapso. Conforme as camadas exteriores colidem com núcleo, são expulsas para fora em uma espetacular explosão.

Estrelas tão grandes têm apetite voraz: consomem todo seu combustível de hidrogênio em coisa de 10 milhões de anos (para fins de comparação, o Sol tem 4,6 bilhões e ainda tem a mesma quantidade de tempo pela frente). Mas, afinal de contas, Betelgeuse vai ou não vai sofrer um colapso gravitacional a tempo dos fogos do fim de ano? Ainda é cedo para dizer. Será preciso observar o comportamento da estrela nas próximas semanas.

Se seu brilho aumentar de forma acentuada e repentina, então é sinal de que tanto os astrônomos quanto os entusiastas do céu noturno terão dias muito empolgantes pela frente. Com a tecnologia dos instrumentos atuais, ter a chance de acompanhar uma supernova tão de perto vai ser um espetáculo para a ciência. Será possível avaliar em detalhes não só a luz liberada pela explosão, como as ondas gravitacionais e os neutrinos que ela emite.

Vale lembrar que estamos em um camarote privilegiado e seguro, bem longe da zona de perigo no raio de 50 anos-luz, em que a radiação emanada acaba sendo letal. Além dos cientistas, qualquer um terá a chance de contemplar o fenômeno: Betelgeuse ficará 100 vezes mais brilhante que Vênus por um tempo, projetando sombras durante a noite. Ela seria facilmente visível até mesmo em plena luz do dia. É esperar pra ver. 

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