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A força que vem dos Átomos

Petróleo, vento, urânio e até o Sol - o homem usa tudo o que pode para gerar luz, calor e movimento.

Por Da Redação Atualizado em 31 out 2016, 18h50 - Publicado em 31 out 1999, 22h00

Os ingleses foram os primeiros a usar a energia liberada por fissão nuclear para produzir eletricidade, construindo um reator na cidade de Calder Hall, em 1957. Usinas nucleares são como grandes chaleiras, aquecidas não pelo fogo, mas pelo calor gerado pela quebra de átomos de urânio. Tudo começa com barras de urânio mergulhadas na água e, em seguida, bombardeadas com nêutrons. Aí, a festa se anima. Um nêutron atinge um átomo de urânio e o quebra, liberando energia e, além disso, mais nêutrons, que saem em disparada e quebram novos átomos. Isso se chama “reação em cadeia”. A coisa não teria fim se os técnicos não usassem água ou barras de cádmio para parar alguns nêutrons. O resultado de uma reação em cadeia fora de controle é o calor excessivo e a conseqüente fusão do centro do reator. Mas, se tudo é bem controlado, a energia das fissões aquece a água e o vapor move turbinas que geram eletricidade. Países sem grandes recursos hidrelétricos, como os da Europa e o Japão, usam intensamente as usinas nucleares.

No Brasil, elas ainda não são necessárias, ao menos por enquanto – as hidrelétricas daqui podem ser reformadas e ampliar a capacidade de geração. Mas isso tem um limite e, com o avanço da indústria, pode se tornar inevitável a entrada do país na era da energia nuclear. A questão é polêmica, como já se constatou na campanha dos ambientalistas contra a construção da usina de Angra dos Reis (RJ), na década de 80.

Em Chernobil, um sinal de alerta

Em abril de 1986, um técnico tentou corrigir uma falha num reator de uma usina nuclear da até então desconhecida cidadezinha ucraniana de Chernobil. Sem querer, piorou ainda mais o problema. Explosões e incêndios levaram ao ar 100 vezes mais radiação que as duas bombas atômicas lançadas em 1945 sobre o Japão. A nuvem radioativa atingiu toda a Europa. Hoje, Chernobil está isolada por um cordão de segurança e o número de mortos pode ter chegado a 30 000. Nos Estados Unidos, o desastre (bem menos grave) num reator em Three Mile Island, em 1979, já havia decretado o fim da construção de novas usinas nucleares.

Torres de vento

A energia eólica já é realidade nos Estados Unidos e na Europa. Mas, para os especialistas, ainda vai levar algum tempo até que a eletricidade gerada pelas correntes de vento se torne uma fatia importante da energia necessária para mover um país. Como toda tecnologia que ainda está em sua infância, a energia eólica é mais cara que a convencional – nos Estados Unidos, contribui com menos de 5% nos programas de geração de energia ecologicamente correta. No Brasil, as turbinas eólicas, que lembram hélices gigantescas de aviões presas a torres, já estão ajudando a iluminar várias cidades do Nordeste.

Na última década

Os painéis de energia solar vêm aos poucos sendo instalados em casas, fábricas e escritórios. Ela é relativamente barata e não polui o ambiente. Até hoje, é usada principalmente como recurso auxiliar em lugares que recebem também eletricidade gerada em usinas hidrelétricas e nucleares. Os problemas da energia solar são a impossibilidade de armazená-la em dias sem luz, o tamanho reduzido dos painéis e o desafio de produzi-la em quantidade suficiente para grandes cidades e parques industriais.

Feio e sujo, porém essencial

Um líquido pegajoso e fedorento moveu o século XX. O petróleo foi pela primeira vez extraído comercialmente em poços no Estado da Pensilvânia, nos Estados Unidos, no século passado, mas seu sucesso como combustível ajudou este século a se movimentar sobre rodas. As crises do petróleo, em 1973 e 1979, quando os países produtores subiram seus preços, deixaram o mundo em polvorosa. Não havia fontes alternativas de energia que pudessem substituir de imediato a gasolina e o diesel extraídos desse combustível fóssil. Hoje, cerca de 70 milhões de barris de petróleo são retirados diariamente do solo e, segundo previsões pessimistas, por volta de 2010 a produção deve começar a declinar.

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