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E se a Terra tivesse só um continente?

O Rio Amazonas não existiria, o mar viraria sertão e os primeiros brasileiros seriam negros, não índios.

Por Alexandre Versignassi Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
Atualizado em 16 nov 2017, 16h12 - Publicado em 21 abr 2010, 22h00

Talvez a humanidade nem existisse. Só estamos aqui porque uma floresta tropical na África secou há 5 milhões de anos, virou savana. Aí meia dúzia de macacos ficou sem árvores. Teve de se virar no chão. E os filhos dos filhos desse bando são a gente. Num mundo de um continente só, o clima seria tão diferente que acontecer a mesma coisa no mesmo lugar seria coincidência demais.

Mas ok: vamos trabalhar com a hipótese de que a coincidência aconteceu. Nesse caso, viveríamos num mundo mais seco. É que, se os continentes fossem unidos, não haveria o Atlântico. A maior parte do planeta ficaria longe do mar. Quando isso acontece, a umidade do ar baixa. Então as chuvas diminuem e a quantidade de água doce também. Vira quase tudo um desertão. Só isso já mudaria os rumos da história.

A Terra, você sabe, já teve um único continente. Várias vezes. As últimas foram há 750 milhões e há 250 milhões de anos. Os continentes se movem devagar, mas sempre. Se desse para ver esse movimento em câmera acelerada, veríamos os continentes pulsar como um coração. Agora mesmo, as Américas se afastam da África e da Europa a uma velocidade de 7 cm/ano.

O deslocamento dessa massa levantou a cordilheira dos Andes – e continua levantando: sabe quando você arrasta areia com a mão e um montinho se forma naturalmente? É a mesma coisa. Só que com terremotos – por isso a área mais sujeita a eles no mundo é justamente a linha onde estão os Andes. Sem os Andes, diga-se, não é só os flautistas peruanos que jamais existiriam. O Rio Amazonas também seria impossível, já que ele só tem aquela grandiosidade toda porque conta com a água dos Andes para abastecê-lo.

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O lugar onde hoje fica o Brasil, aliás, demorou para ser povoado. Os primeiros humanos a pisar na América chegaram a não mais do que 15 mil anos, via estreito de Bering, e deram origem às populações indígenas. Numa pangeia eterna, a humanidade teria chegado aqui centenas de anos antes. Nossa espécie surgiu na África, você sabe. Quem subiu para a Europa embranqueceu, quem foi mais para o leste ganhou olhos puxados – duas adaptações para o frio. Com a América do Sul logo ali, pertinho do berço da humanidade, sem um oceano no meio, nosso continente acabaria ocupado logo, e seria 100% negro.

Seja como for, o fato é que os continentes da vida real vão continuar se separando. Daqui a 50 milhões de anos, a Europa e a África vão estar bem mais longe daqui. Mais tarde, porém, o processo deve se inverter e formar outro supercontinente. E aí tudo o que foi será, de novo, do jeito que já foi um dia. Num indo e vindo infinito.

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