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Agricultura em alta escala

A comida do futuro virá de fazendas verticais no centro das cidades

Por Da Redação Atualizado em 31 out 2016, 18h45 - Publicado em 30 jun 2006, 22h00

Roberta Faria

Batata: 8º andar. Morango: 10º andar, sala 103. Se as idéias de um grupo de especialistas em meio ambiente da Universidade de Columbia vingarem, vai ser assim que frutas e verduras serão organizadas daqui a 50 anos. A idéia é levar a agricultura a arranha-céus. Nada de vasinhos no terraço. O que eles querem é construir fazendas verticais: prédios inteiramente voltados a plantações e à criação de animais, que tornem possível cidades como Nova York ou Tóquio produzirem seus próprios alimentos. “Em 50 anos, o mundo terá que abrigar mais 3 bilhões de pessoas”, diz Dickson Despommier, o coordenador do grupo. “Para alimentar todos, seria necessário mais um espaço produtivo do tamanho do Brasil, que simplesmente não existe”.

No projeto, cada fazenda tem 30 andares, com criação de galinhas, peixes e porcos. Os vegetais são hidropônicos (cultivados em uma solução de nutrientes no lugar do solo). Essa técnica diminuiria o problema da falta de espaço – pés de morango hidropônico, por exemplo, produzem 30 vezes mais que a céu aberto. Além de prover 10 mil moradores da cidade com alimentos orgânicos, o prédio-fazenda produziria energia eólica e reciclaria água e lixo. Tem mais: a safra seria controlada, livre da ação da seca e do mau tempo. E você faria a feira no prédio do quarteirão ao lado, sem pagar custos de transporte e intermediários.

Apesar de o Brasil ter grandes áreas não cultivadas, a idéia parece viável para o engenheiro agrônomo Quirino Carmello, da Escola de Agricultura da USP. “A produção de hidropônicos ajudará a solucionar a crecente falta de capacidade de cultivo do solo”, diz ele. “O investimento em estrutura e tecnologia será compensado pelo aumento de preços dos alimentos, que estarão mais escassos”. Na verdade, a agricultura dentro de casa já é usada em cultivos não tradicionais. Em 2005, a polícia americana prendeu no Tennessee um homem que mantinha uma sala subterrânea com 850 pés de maconha. Por meio de um sistema artificial de iluminação, ventilação e irrigação, ele produzia 22 quilos da droga por mês. Imagine uma produção dessas em escala industrial.

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