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Anfíbio e brasileiro: espécie rara já está ameaçada de extinção

Encontrado no Brasil o segundo exemplar de um anfíbio desconhecido, que respira só pela pele.

O Brasil possui um dos dois únicos exemplares de um anfíbio primitivo, muito importante, batizado cientificamente de Atretochoana eiselti. Ele é o maior tetrápoda sem pulmões que se conhece (tetrápodas são vertebrados de quatro patas, inclusive os que as perderam durante a evolução, como a cobra). Um dos atretochoanas está no Museu de História Natural de Viena desde 1920 e recentemente foi dissecado pelos naturalistas Ronaldo Nussbaum, da Universidade de Michigan, Estados Unidos, e Mark Wilkinson, da Universidade de Bristol, Inglaterra. O outro está no departamento de Ciências Biológicas da Universidade de Brasília. Segundo a bióloga Elisabeth Ferroni Schwartz, o único tetrápoda sem pulmões conhecido até agora era a salamandra. Ela absorve oxigênio pela pele. Os sapos e as rãs usam tanto a pele quanto os pulmões. De modo geral, apenas animais pequenos, como os insetos, podem dispensar o aparelho respiratório. Eles precisam ter baixa temperatura e absorver alta concentração de oxigênio. O atretochoana, com até 75 centímetros de comprimento, certamente não entra nessa categoria. Seu habitat é pouco conhecido. Sabe-se apenas que são animais tropicais e aquáticos. “O exemplar brasileiro foi coletado há pelo menos dez anos”, contou Elisabeth, por telefone, à SUPER. “É até provável que tenha vindo dos rios de corredeiras geladas das proximidades do Distrito Federal.