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As luas mais importantes da família solar

Aprenda a identificar os mundos que giram à volta de Júpiter

Augusto Damineli Neto

A partir deste mês, Júpiter entra numa excelente fase de observação. Com uma modesta luneta você poderá observar 4 dos seus 16 satélites. Esses pequenos astros – Calisto, Europa, Ganimedes e Io – são mais importantes para a Astronomia que a maior parte do resto do zôo cósmico. Foi por meio deles, por exemplo, que se comprovou que a Terra não era o centro do Universo; também serviram para se medir a velocidade da luz; e atualmente é em Io que se desencadeiam as maiores erupções vulcânicas conhecidas em qualquer mundo. Além disso, Europa emprestará sua face branca e lisa para um feito formidável: em julho, quando o cometa Shoemaker-Levy 9 mergulhar no lado oculto de Júpiter (não podendo ser visto diretamente, portanto), ela funcionará como um espelho retrovisor. Ou seja, os cientistas vão mirar em Europa para fotografar os reflexos da explosão. Mas os vulcões de Io têm grande importância.

Eles são Criados pelas forças de maré, que são tensões internas nas rochas do satélite, devido à atração gravitacional de Júpiter e à atração conjunta de Europa e Ganimedes. Estes se movem numa espécie de sincronia, chamada ressonância de Laplace. Quando Europa e Ganimedes ficam na mesma linha com Júpiter, Io fica a 180 graus, do lado oposto. Essas forças somadas “esticam” Io por dentro, provocando grande calor e erupções vulcânicas.

Você pode verificar isso observando-as. Use o diagrama ao lado. As linhas horizontais mostram, a cada dia, as distâncias das luas a Júpiter. Por exemplo, na noite de 17, Io estará sozinho de um lado de Júpiter, enquanto Europa e Ganimedes se alinham do outro lado. Calisto fica a oeste, como Io, mas distante dos outros mundos. Note que as luas giram em círculos; elas aparecem alinhadas porque estão sendo vistas de perfil. Você pode reproduzir essa situação, colando bolinhas sobre um disco e fazendo-o girar.