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As próximas explorações planetárias

Planos das grandes potências para as próximas explorações planetárias.

Ronaldo Rogério de Freitas Mourão

Justamente quando se começa a questionar o interesse de vôos tripulados aos planetas sem que se teha uma estação especial em órbita terrestre, o sucesso da missão Voyager veio sugerir tanto aos Estados Unidos, seus patrocinadores, quanto à União Soviética a retomada de projetos de exploração interplanetária por meio de naves e veículos-robôs. Aos que tudo indica, os soviéticos abandonaram temporariamente a idéia de mandar homens a Marte e estão estudando o envio de robôs a Mercúrio e Vênus. O desinteresse da União Soviética por planetas externos ( que estão na fronteira do sistema solar), como Júpiter, Saturno, Urano e Netuno – todos explorados até hoje com exclusividade pelos americanos – , prende-se, sem dúvida, a reduzida confiabilidade de sua tecnologia eletrônica, como o provam os recentes fracassos com as duas sondas Phobos.

Como resultado do sucesso das sondas-robôs, diversos lançamentos estão anunciados para os próximos anos. Algumas vão girar AL redor de um planeta e outras irão sobrevoá-lo para depois deixar o sistema planetário. Sem pilotos, elas farão o reconhecimento do sistema solar com o objetivo de preparar a partida dos exploradores de futuras viagens de conquistas e colonização dos mundos que cercam a terra. A sonda americana Magalhães, lançada em 4 de maio deste ano, se dirige a Vênus, onde deverá chegar em agosto do ano que vem para se colocar em órbita venusiana com o objetivo de cartografar a superfície do planeta com um radar de alta resolução – que capta tudo em detalhes (SUPERINTERESSANTE número 1-, ano 3).

A Galileu será a próxima sonda. Vai sobrevoar Vênus em fevereiro de 1990 e em seguida a terra em duas ocasiões: em dezembro de 1990 e 1992, o que lhe permitirá a chegar a Júpiter em 1996. Nesse momento uma sonda será introduzida na atmosfera do planeta. A espaçonave Ulysses, projeto conjunto da Agência Espacial Européia (ESA) e da NASA, será lançada em outubro do ano que vem e deverá sobrevoar em Júpiter catorze meses mais tarde. Em seguida, sobrevoará os pólos do Sol, numa órbita quase perpendicular ao plano da eclíptica. Nessa posição particularmente vantajosa, Ulysses vai explorar as propriedades do vento solar, os raios X, os clarões solares, os raios gama e os campos magnéticos da heliosfera (esfera que delimita o campo de influencia da atividade solar) e do espaço interplanetário.

Além disso, a nave conduzirá um experimento destinado aos estudos das ondas gravitacionais. O Mars Observer (Observador de Marte) é outro projeto americano. Cujo lançamento está previsto para 1992 e deverá ser satelizado em torno de Marte, em uma órbita quase póla para estudar o planeta vermelho. Com objetivo semelhante, a União Soviética pretende lançar em 1994 duas sondas Mars. Elas serão satelizadas em torno de Marte e devem largar na atmosfera marciana um balão destinado ao estudo de suas características meteorológicas, além de depositar no solo um Marsokhod, pequeno veiculo-robô teleguiado de exploração.

Esta estação automática móvel deverá ter também penetradores para sondagem do subsolo. Dois anos mais tarde, em 1996, os soviéticos pretendem colocar na superfície marciana mais duas sondas, que transportarão estações de descida e um robô móvel Marsokhod. O Comet Rendez-vous e Asteroid Fly-by (CRAF), outra missão Americana, deverá ser lançado em 1995 em direção ao cometa periódico Kopff e a previsão é atingi-lo no ano 2000. Uma seqüência ambiciosa do programa Voyager é o projeto Cassini, concebido pela ESA em colaboração com a NASA. Deve ser lançado em abril de 1996, com o objetivo de colocar um satélite em órbita ao redor de Saturno e uma sonda a Huygens, na atmosfera de Titã, a maior das luas deste planeta.

A chegada próximo a Saturno está prevista para outubro de 2002, após ter sobrevoado o asteróide Maja em março de 1997 e Júpiter em fevereiro de 2000. O satélite vai cartografar a superfície de Saturno, e a exploração de Titã será muito importante, pois, quando a Voyager 1 o sobrevoou, em 1981, revelou a presença de moléculas complexas, parecidas com a que serviam para formar o DNA, o suporte biológico básico da vida.

 

 

(O astrônomo Ronaldo Rogério de Freitas Mourão é membro da Comissão de Estrelas Múltiplas e Duplas de História da Astronomia e de Asteróides e Cometas da União Astronômica Internacional.)

Eventos do mês

Constelações

Em dezembro, a partir das 20 horas será possível observar as seguintes constelações: Áries, Andrômeda, Cassiopéia, Pégaso, Peixes Austral, Baleia, Grou, Índio, Pavão, Ave do Paraíso, Oitante, Hídra Macho, Fênix, Erídano, Mosca, Argos, Pintor, Dourado, Retículo, Cão Maior, Pomba, Lebre, Oríon, Gêmeos, Touro, Perseu. Longe das luzes das cidades, em noites claras srá possível observar a pequena nuvem de Magalhães na constelação de Dourado.

 

 

Meteoros

Entre 20 e 30 de dezembro, vão aparecer os meteoros do enxame Zeta Hidrideos. Seu radiante está situado na constelação Hidra Macho. São rápidos e deixam rastros muito tênues. Como sua freqüência é variável, deve-se tentar observá-los anualmente em noites sem luar e longe das luzes da cidade.

 

Sol

Observar as manchas colares nesse período de atividade máxima é uma atração para quem tem telescópio ou luneta. É muito perigoso observar diretamente a superfície solar mesmo com o auxilio de filtros especiais. O mais seguro é a observação indireta, usando-se um anteparo branco após a ocular e a uma determinada distância.

 

Fases da Lua
Quarto crescente, dia 5, às 22h26; lua cheia, dia 12, às 13h30; quarto minguante, dia 19, às 23h53; lua nova, dia 28, às 0h20. A luz cinzenta poderá ser observada entre 29 de dezembro e primeiro de janeiro.

 

 

Planetas

Vênus: no dia 14, atingirá o brilho máximo (magnitude – 4,4). Durante todo o mês será possível observá-lo na constelação de Sagitário, como astro vespertino, logo depois do pôr-do-sol, do lado oeste.

 

Mercúrio: visível ao anoitecer, do lado oeste, muito baixo sobre o horizonte durante todo o mês. O melhor período para observá-lo será por volta do dia 23, quando ocorre seu maior afastamento angular do sol, do lado leste (magnitude- 0,3). No dia 16 o planeta estará 2 graus ao sul de saturno.
Marte: visível como astro matutino (magnitude- +1,8), antes do nascer do Sol, do lado leste, na constelaçã de Libra.

 

Júpiter: visível na constelação de Gêmeos, durante toda a noite, com brilho muito intenso (magnitude -2,3).

 

Saturno: visível na constelação de Sagitário como astro vespertino até meados de dezembro, quando estará se aproximando do Sol,dificultando sua observação (magnitude +0,7).

 

Urano: praticamente invisível, pois estará muito próximo do Sol, com o qual entrara em conjunção em 27 de dezembro.

 

Netuno: visível na constelação de sagitário no céu vespertino, no inicio de dezembro. Na segunda quinzena será impossível observá-lo, pois estará muito próximo do Sol. O ponto de referencia para observação é a Lua. No dia primeiro, saturno estará ao norte da Lua; do dia 2, Vênus estará ao sul; no dia 13, Júpiter estará ao norte; no dia 29, Mercúrio estará ao norte; e no dia 30, Vênus estará ao norte.