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Asteroide da extinção dos dinossauros era uma bola gigante de lama e argila

Estudo investigou com detalhamento inédito a composição química do meteorito – que era de um tipo raro na Terra, chamado condrito carbonáceo.

Por Eduardo Lima 16 ago 2024, 18h00 | Atualizado em 4 jun 2026, 16h05
Asteroide da extinção dos dinossauros era uma bola gigante de lama e argila Priorizar nos meus resultados Google

Há 66 milhões de anos, um asteroide atingiu a Terra onde hoje fica a península de Yucatán, no México, deixando uma cratera de 145 km de diâmetro. Essa é a cicatriz de um impacto que levou à extinção de aproximadamente 75% das espécies existentes na época.

A maioria dos dinossauros desapareceu por causa da colisão e seus efeitos colaterais; as aves (que, vale sempre lembrar, são dinossauros) foram a única exceção.

Esse desastre esvaziou muitos nichos ecológicos que eram ocupados por répteis – possibilitando que os mamíferos, antes bichinhos pequenos de hábitos noturnos, se irradiassem em espécies tão variadas quanto girafas, baleias e humanos.

O asteroide tinha algo entre 9,7 km e 14,5 km de diâmetro, e foi vaporizado ao colidir com a Terra a uma velocidade de 25 km por segundo. Esse pó se espalhou pelo mundo todo, bloqueando a luz do Sol e abaixando a temperatura por anos, o que desencadeou um desequilíbrio ecológico caótico. 

Agora, um novo estudo publicado na Science desvendou a composição química desse pó, e descobriu que o bólido responsável pela quinta extinção em massa da Terra era uma rocha rica em argila, com traços de materiais tão antigos quanto o próprio Sistema Solar.

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Não dá para conhecer a origem exata do asteroide, porque é difícil achar evidência química dele que já não esteja muito misturada e contaminada com o material terrestre. O que o estudo conseguiu mostrar é que o meteorito veio de dentro do Sistema Solar, e de algum lugar além de Júpiter.

Seguindo as pegadas químicas do asteroide

O material pulverizado resultante da colisão de Yucatán, aos poucos, caiu sobre todo o mundo. Hoje, esse pó pode ser encontrado em vários países, acumulado em uma camada de argila no subsolo conhecida pelos geólogos como fronteira K-Pg (Cretáceo-Paleógeno, que são o período geológico anterior e posterior à extinção, respectivamente).

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Para este estudo, os pesquisadores analisaram amostras coletadas na Dinamarca, na Itália e na Espanha. 

Essas amostras carregam um elemento químico raro na crosta da Terra, o rutênio, em sua composição. Ele é encontrado com frequência em meteoritos de um tipo conhecido como condrito carbonáceo. A maior parte dos meteoritos que caem na Terra, por sua vez, são condritos comuns. 

Comparando o asteroide de 66 milhões de anos atrás com os condritos carbonáceos que existem hoje no Sistema Solar, é possível dizer que ele se assemelhava a eles em composição, com água, argila e compostos orgânicos.

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Embora os condritos carbonáceos correspondam a apenas 5% dos impactos com nosso planeta, ele são um tipo de pedregulho muito comum no espaço aberto, e são alguns dos pedacinhos mais antigos do Sistema Solar ainda em circulação. 

As descobertas sobre o asteroide foram possíveis por causa de uma nova técnica que quebra todas as ligações químicas de uma amostra de pedra para identificar o rutênio isoladamente, medindo seus níveis com precisão.

Entender as origens desse meteorito é importante para entendermos como prever e reagir a um evento similar no futuro, caso necessário. Já existe tecnologia para desviar esses bólidos de suas rotas, mas um condrito carbonáceo não reagiria da mesma forma que um condrito comum.

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Afinal, quando o objetivo é evitar que seu planeta vire um filme apocalípitico cafona com Liv Tyler (e trilha sonora do Steven Tyler!), todo conhecimento é pouco.

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