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Áudio ruim tira a credibilidade de cientistas, diz estudo

Experiência comparou gravações de pesquisadores importantes - e constatou que, quando o som estava ruim, as pessoas não acreditavam neles

Na era das fake news, saber o que é verdade ou não se tornou um exercício diário. Verificar fontes, dados, opiniões do autor, tudo é válido – e recomendado – quando se tem informações falsas compartilhadas milhares de vezes todos os dias. Mas, quando isso entra no campo da divulgação científica, um fator a mais deve ser considerado: até mais que o conteúdo, a forma como a informação é transmitida influencia muito a visão das pessoas, e um novo estudo da Universidade Nacional Australiana (ANU) provou isso.

Foram realizados dois testes: no primeiro, dois grupos de pessoas assistiram os mesmos videoclipes de cientistas discursando em conferências, mas com uma diferença – um ouviu as gravações em alta qualidade e o outro em baixa. Logo após o experimento, os participantes precisavam avaliar os pesquisadores e seus trabalhos, e o resultado foi surpreendente: “Quando a qualidade do som era ruim, os participantes achavam que o pesquisador não era tão inteligente, não gostavam tanto deles e consideravam a pesquisa menos importante”, disse a psicóloga Enyn Newman, líder da pesquisa. 

No segundo teste, os dois grupos tinham acesso ao currículo dos pesquisadores, incluindo prêmios, qualificações e instituições em que atuavam, antes de ouvir suas falas. Os discursos agora eram para o programa Friday Science, uma das maiores referências australianas em ciência. Mas, surpreendentemente, o resultado não mudou: “Não fez diferença. Assim que reduzimos a qualidade do áudio, os cientistas e suas pesquisas perderam a credibilidade”, afirmou Newman.

Segundo a pesquisadora, em um momento em que a ciência está lutando para ser mais ouvida que notícias falsas e versões alternativas dos fatos, como se passa essas mensagens é cada vez mais essencial: “O que importa não é só quem você é e o que está dizendo, é como o seu trabalho é apresentado.”