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Bebê grande, adulto saudável

Nota baixa no teste da balança pode ser sinal de coração fraco no futuro

Gilberto Stam

Oque a intuição das parteiras já havia registrado há tempos, a ciência agora assina embaixo – fetos pequenos, com menos de 2,7 quilos, tendem a se tornar adultos frágeis, vulneráveis a doenças. Pressão alta, ataques do coração e diabete estão entre os males decorrentes. O primeiro a levantar essa bola, dez anos atrás, foi o epidemiologista inglês David Barker, da Universidade de Southampton, Inglaterra. Ele notou que a incidência de doenças crônicas era maior nas famílias em que o grau de desnutrição das mães era mais elevado. Estudos recentes em animais de laboratório indicam que, se a comida disponível para o feto escasseia, acaba sendo direcionada para o órgão que tem mais urgência – o cérebro. O preç0 é pago por peças essenciais do organismo, como rins, pâncreas ou fígado. Também é possível que a alimentação deficiente, bem na hora em que o corpo do bebê está se formando, crie defeitos genéticos permanentes, que predispõem a criança a doenças. O especialista Peter Nathanielsz, da Universidade Cornell, um dos líderes das pesquisas nesse campo, afirma que não há regra absoluta para determinar o futuro do feto: “Não há nada errado com um bebê de 2,5 quilos, se seu organismo está bem ajustado a esse peso”. Seja como for, a balança deverá se tornar um excelente indicador da futura saúde das crianças.