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Caçada à vida fora da Terra

A idéia de que a vida não é um fato restrito ao nosso planeta é antiga, mas sua abordagem científica está só engatinhando. Até agora, pouco se conseguiu de concreto, mas os astrônomos ainda pensam que existem micróbios, pelo menos, ou mesmo seres inteligentes, em outras regiões do Universo. Atualmente há grande expectativa em torno da chegada da nave Cassini em Titã, no ano 2004. A sonda enviada pela Nasa e pela ESA (Agência Espacial Européia) promete revelar novos aspectos do maior satélite de Saturno. Debaixo das espessas nuvens cor- de- laranja, Titã pode reunir condições básicas para o desenvolvimento da vida.

A não ser pela temperatura, ele é bem parecido com a jovem Terra – no tempo em que as primeiras células começaram a surgir aqui (veja ilustração). Titã tem bastante água em forma de gelo. Mais importante, porém, são os seus lagos de amônia líquida, nos quais moléculas de diversos tipos podem se dissolver e se recombinar. Quem sabe, criando a matéria-prima química essencial para os microorganismos. É possível que essa matéria-prima molecular caia da atmosfera de Titã. É que, lá, a luz ultravioleta do Sol ajudaria a transformar substâncias como o metano em compostos úteis para os organismos. Moléculas de acetileno, etano e etileno cairiam como uma chuva oleosa, fertilizando os lagos de amônia. Enquanto alguns esperam a Cassini chegar a Titã, outros olham para lugares mais distante só Os caçadores de vida extraterrestre sabem que os elementos básicos dela – as moléculas orgânicas, feitas de carbono – são muito comuns no espaço interestelar e nos cometas. Aí já se acharam mais de cinqüenta tipos de moléculas orgânicas. Em meteoritos, além disso, existem aminoácidos, com os quais são feitas as proteínas, e nucleotídeos, a base dos genes.

De modo geral, a probabilidade de que não exista vida lá fora parece bem menor do que a que exista. Afinal, a Via Láctea tem mais de 20 bilhões de estrelas parecidas com o Sol. Mas, se é difícil. detectar formas de vida a grandes distâncias, localizar seres inteligentes pode ser bem mais simples. Até por fim não faz diferença se eles têm a mesma constituição química que os terrestres. Só importa que “falem” conosco. Aliás, o raciocínio dos caçadores é que seres inteligentes gostam de se comunicar. Assim, os pesquisadores abriram canais de escuta para dezenas de milhões de freqüências de rádio – afinal, ninguém pode garantir que canal os extraterrestres escolheriam. Em 1992, a Nasa iniciou um projeto ambicioso – o META (sigla em inglês para Megacanal de Rastreamento Extraterrestre) -, coordenado pelos astrônomos Paul Horowitz’e Carl Sagan. Após mais de dois anos parado, o projeto renasce agora. O META já conseguiu resultados interessantes: achou cinco fontes de rádio alinhadas no plano da Galáxia. Segundo os caçadores, os sinais só podem ter sido emitidos por alguma inteligência. O problema é que eles não são permanentes, mas apareceram e se apagaram em seguida. Por outro lado, isso é normal: nossas próprias antenas são continuamente viradas para diferentes direções, pelos simples movimentos de rotação e translação da Terra. Ainda é cedo para aceitarmos eventos tão efêmeros como definitivos. Mas uma coisa é certa: se descobrirmos uma inteligência superior à nossa, não vai ser agradável conviver com o fato de que a natureza fez algo melhor do que nós.