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Cápsula da Nasa passa em teste de segurança, e dá mais um passo rumo à Lua

Experimento envolvia sistema para salvar a vida da tripulação em caso de falhas no lançamento – fundamental para a continuidade das futuras missões lunares.

Se há uma lição que ficou clara após décadas de exploração espacial, esta é a necessidade de prevenir acidentes — que nessa área são sempre fatais. Na manhã desta terça-feira (2), a Nasa deu um passo importante para garantir que seus astronautas consigam ir até a Lua e retornar à Terra em segurança nos próximos anos.

Durante um teste que levou cerca de três minutos, a agência avaliou o desempenho de um dos sistemas criados para a cápsula Orion, veículo em desenvolvimento para transportar tripulantes ao espaço profundo. Um protótipo simplificado da espaçonave foi acoplado no topo de um míssil modificado, e o lançamento ocorreu no Cabo Canaveral às 7h, hora local (8h, no horário de Brasília). Segundo a Nasa, o procedimento foi bem-sucedido. Você pode assistir ao momento do lançamento no vídeo abaixo.

O teste serviu para demonstrar o funcionamento do sistema de aborto, ou escape, no lançamento. Sua função é fazer com que a cápsula se afaste o máximo possível do foguete durante os primeiros minutos de ascensão. Esse mecanismo faz toda a diferença caso qualquer tipo de emergência aconteça — três motores desprendem a cápsula do lançador e promovem uma guinada na direção oposta. Assim, uma eventual explosão não mata os astronautas no interior do veículo.

Menos de um minuto depois da decolagem, os motores do sistema foram acionados a uma altura de 10 quilômetros. A cápsula continuou subindo sozinha por outros três quilômetros e depois foi desviada para baixo, em um movimento para aterissar no Oceano Atlântico. O “pouso” no mar não foi nada suave: o módulo se espatifou na água a 480 km/h. Isso porque, para ganhar tempo e cortar gastos, a Nasa dispensou os sistemas de paraquedas no teste.

Sensores documentaram cada etapa do processo nos mínimos detalhes — engenheiros e técnicos da agência passarão os próximos meses avaliando a imensa quantidade de dados para definir a performance do sistema de aborto. É um passo fundamental para o programa Artemis, que pretende mandar a primeira mulher e o próximo homem para a superfície lunar em 2024. A primeira missão não-tripulada, prevista para o ano que vem, vai orbitar a Lua.

Mas antes de tudo isso, a Nasa precisa concluir o desenvolvimento da própria Orion e do Space Launch System (SLS), o foguete mais poderoso do mundo, que vencerá a gravidade terrestre em grande estilo para catapultar astronautas mais longe do que nunca no espaço. Com o sucesso do teste de segurança realizado hoje na Flórida, a humanidade está um passo mais perto de inaugurar uma nova era da exploração espacial.