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NASA vai mandar drone para procurar vida em Titã, a maior lua de Saturno

Missão Dragonfly deve sobrevoar a atmosfera de lá em 2034, para tentar entender como a vida surgiu na Terra — e checar se ela também existe em Titã.

Desde que sondas espaciais fizeram um reconhecimento inicial de Saturno e sua maior lua, Titã, entre 1979 e 1981, ficou claro que aquele era um mundo especial. Primeiro a Pioneer, depois as duas Voyager passaram por lá e revelaram uma atmosfera espessa e alaranjada. Só em 2004, com a Cassini e a sonda Huygens, que pousou em Titã, cientistas puderam espiar o que havia debaixo de toda aquela névoa. E logo devem ganhar outra chance.

Na última quinta (27), a NASA anunciou a mais nova missão de seu audacioso programa New Frontiers — o mesmo por trás da New Horizons, para Plutão e o Cinturão de Kuiper, Juno, para Júpiter, e OSIRIS-REx, para o asteroide Bennu. Próximo destino, Titã.

A missão Dragonfly foi pensada para explorar um mundo único de um jeito único. A ideia é fazer com que um drone sobrevoe as incríveis paisagens titanianas e revele dados científicos valiosos.

Com lançamento previsto para 2026 e chegada na lua estimada para 2034, a sonda terá como objetivo principal investigar a química complexa presente em ambientes bastante promissores de Titã. Inicialmente, o drone deve pousar em uma região equatorial de dunas chamada de “Shangri-La”, parecidas com as formações de areia encontradas na Namíbia. Dali, a Dragonfly levanta voo para a cratera de impacto Selk, não muito distante.

Evidências indicam que, naquele local, água líquida, moléculas orgânicas e energia coexistiram por dezenas de milhares de anos no passado. Quando esses compostos complexos de carbono combinado com hidrogênio, oxigênio e nitrogênio estão em um ambiente com água e energia fartas, cria-se a receita para a vida.

Ao todo, o drone vai voar 175 quilômetros — o dobro da distância percorrida por todos os rovers marcianos juntos.

Tamanha facilidade de voo só será possível graças à gravidade mais fraca da lua de Saturno e à sua atmosfera rica em hidrocarbonetos como o metano, quatro vezes mais densa que a da Terra. Assim fica muito mais fácil de voar. A exploração deve durar 2,7 anos, ao longo dos quais a sonda transportará toda sua instrumentação científica para lá e para cá. Titã é um mundo rico em matéria orgânica e de composição química complexa.

É também o único corpo celeste conhecido além da Terra a conter rios e lagos de líquidos fluindo na superfície. Só que, em vez de água, esses reservatórios são feitos de metano e etano. Lá, assim como aqui, existe chuva (de metano) e neve (de moléculas orgânicas que se formam na atmosfera e são depositadas na superfície congelante de -170 graus Celsius). Toda essa exuberância lembra muito o contexto em que a vida surgiu no nosso planeta.

Os instrumentos a bordo do drone vão estudar a evolução da química pré-biótica e buscar evidências de vida passada ou presente, além de investigar as propriedades da atmosfera e da superfície. “Com a missão Dragonfly, a NASA vai, de novo, fazer aquilo que ninguém mais consegue fazer”, disse em comunicado Jim Bridenstine, administrador da agência.

“Visitar esse misterioso mundo oceânico pode revolucionar tudo o que sabemos sobre a vida no Universo, essa missão com tecnologia de ponta teria sido impensável alguns anos atrás, mas agora estamos prontos para o incrível voo da Dragonfly”, afirma o executivo. Então está marcado: daqui a 15 anos, começa uma nova aventura em Titã, a segunda maior lua do Sistema Solar, maior até mesmo que alguns planetas por aí (alô, Mercúrio). Aventura que pode solucionar o grande mistério da vida. Duro vai ser segurar a ansiedade.