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Chineses pirateiam fórmula da tinta branca

A fórmula do branco mais branco do mundo foi roubada pelos chineses

Imagine um branco mais branco que lençol de hotel, mais branco que porta de geladeira, mais branco que roupa branca recém lavada. Essa brancura toda existe por causa do dióxido de titânio, o TiO2.

Extraído do ilmenite, um minério de ferro e titânico, esse pigmento foi utilizado pela primeira vez no século XIX, mas só em 1940 os químicos da DuPont refinaram o processo até obter uma forma superior dele: o branco titânio. Desde então, a substância passou a ser usada em milhares de produtos que precisassem de um toque extra de “cor”, desde linhas de campos de tênis, recheio de biscoito Oreo, até páginas de livros e cosméticos.

A DuPont, segunda maior empresa química do mundo, transformou seu branco em ouro e criou uma spin-off de US$2,6 bilhões, a Chemours. O branco titânio produzido por ela é internacionalmente reconhecido pela qualidade, eficiência e segurança de como é feito. A companhia mantém seu processo de dióxido de titânio guardado a sete chaves – visitantes são escoltados e proibidos de fotografar, guardas patrulham as usinas de fabricação e os funcionários assinam acordos de sigilo e confidencialidade sobre o desenvolvimento do produto.

Mas outras empresas também produzem TiO2. A previsão é de que em 2016 sejam fabricadas 5 milhões de toneladas de dióxido de titânio. A China, além de ser uma grande produtora do pigmento, consome cerca de um quarto da oferta mundial de TiO2 em suas indústrias.

 No início da década de 1990, estatais chinesas tentaram adotar métodos semelhantes aos da DuPont para melhorar a qualidade do pigmento produzido no país. Mas não se aproximaram da empresa para fazer um acordo formal. Segundo os próprios americanos, eles tentaram arrancar a força seu modo de fazer branco.

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FBI em busca do branco chinês

Se um dos agentes do FBI admitiu que teve que buscar no Google o que era dióxido de titânio, Walter Liew sabia muito bem do que se tratava o pigmento.  O chinês nascido na Malásia e naturalizado americano roubou documentos da DuPont para produzir seu próprio branco de titânio superior entre 1997 e 2011.  De acordo com as investigações, ele mesmo pegou os modelos da fábrica e conseguiu contratos de mais de US$ 30 milhões com essa informação.

Agora, os Estados Unidos brigam para não deixar o roubo passar em branco. O FBI e os promotores federais consideram o caso de Liew um divisor de águas para melhorar a compreensão e apertar as regras de propriedade intelectual norte-americana na China. Em contrapartida, os defensores de Liew afirmam que o esquema de proteção organizado pelos Estados Unidos para preservar a DuPont sufoca a livre concorrência e que as medidas pró-DuPont fizeram com que a companhia parecesse mais vilã na história do que o próprio Liew.

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