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Cientistas simularam o nascimento de estrelas em uma nebulosa. Veja o vídeo

A animação, que consumiu 100 dias de trabalho com um supercomputador, simula todas as variáveis envolvidas no processo. Confira o resultado.

Por Carolina Fioratti Atualizado em 19 Maio 2021, 16h00 - Publicado em 19 Maio 2021, 15h59

Na última segunda-feira (19), pesquisadores da Universidade Northwestern, nos Estados Unidos, divulgaram o primeiro modelo em alta resolução simulando o nascimento de uma estrela – processo que leva milhões de anos.

O Projeto STARFORGE (sigla para “Formação Estelar em Ambientes Gasosos”, em inglês), do qual o vídeo faz parte, pretende dar subsídios aos astrônomos para que eles possam estudar protoestrelas (que ainda estão em desenvolvimento). Dessa forma, os cientistas serão capazes de responder questões cruciais sobre a formação e o comportamento desses corpos celestes.

Há uma infinidade de partículas de gás (geralmente hidrogênio) soltas no Universo. A força gravitacional acaba puxando umas contra as outras, levando à formação de nuvens gigantes. Esse aglomerado de gás é uma nebulosa. Ventos interestelares carregam e acumulam gás em determinadas regiões dela. Como consequência, ocorre uma maior atuação da força gravitacional nesses espaços mais densos.

A pressão na nuvem fica tão alta que os átomos de hidrogênio acabam se fundindo. Dessa fusão nuclear, temos como resultado o hélio, que vem acompanhado de uma enorme explosão quente e brilhante –  a estrela. 

Os cientistas levaram cerca de 100 dias para produzir a simulação. Para desenvolvê-la, tiveram que utilizar o supercomputador Frontera, da Universidade do Texas, um dos mais poderosos do mundo. A simulação é complexa porque os pesquisadores levaram em consideração uma série de fatores, como gravidade, dinâmica do gás, ventos estelares, campos magnéticos, entre outros pontos que poderiam influenciar na formação da protoestrela. 

  • Os pesquisadores foram além da simulação e já começaram a desvendar algumas questões sobre a formação das estrelas. Você deve ter percebido no vídeo que logo após o ponto branco se formar (as estrelas), seus polos liberavam jatos poderosos. Esses jatos de plasma são formados por matéria que “cai” na estrela. Essa matéria acaba interagindo com o campo magnético e parte dela é levada até os polos, onde é posteriormente expelida. 

    Com base nisso, os cientistas fizeram duas simulações: um mantendo os jatos e outro retirando-os. Eles notaram que os jatos influenciavam diretamente na massa da estrela. Quando eram liberados, o gás ao redor da estrela era afastado, o que impedia que mais matéria chegasse até ela. Sem os jatos, o acúmulo de matéria era bem maior e as estrelas ficavam gigantes, tendo até dez vezes a massa do Sol. O estudo descrevendo a influência dos jatos foi publicado em fevereiro na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

    Michael Grudić, um dos autores do estudo, explicou a importância do estudo em comunicado: “Se podemos entender a formação de estrelas, então podemos entender a formação de galáxias. E ao compreender a formação de galáxias, podemos entender mais sobre o que o universo é feito”.

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