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Com esse experimento caseiro, você pode descobrir se a sua máscara é eficaz

Um especialista explica como uma vela acesa permite verificar, de maneira simples e didática, se uma máscara caseira está cumprindo seu papel.

Por Maria Clara Rossini - 31 jul 2020, 13h37

As máscaras entraram em debate logo no início da pandemia. Eram várias as questões: se toda a população usasse máscaras cirúrgicas, faltariam equipamentos para os profissionais da saúde. Por outro lado, se a única máscara que protege completamente o usuário é o modelo N95, também usadas nos hospitais, então do que adiantaria usar uma máscara de pano?

Com o tempo, entendemos que atender pacientes com covid-19 em um hospital não é igual a fazer compras no supermercado, assim como o intuito de uma N95 não é o mesmo de uma máscara caseira. As máscaras de pano reutilizáveis podem, sim, proteger o usuário de pequenas cargas virais, mas a principal função é evitar que ele transmita o vírus para as outras pessoas.

Todos os modelos de máscaras descartáveis destinadas aos hospitais passam por testes rigorosos para comprovar sua eficácia. No caso das caseiras, algumas pesquisas até avaliaram qual seria o melhor material para a fabricação. Mas ainda é difícil saber se as suas máscaras, especificamente, estão ou não fazendo efeito. Será que há alguma maneira de testar? 

Não temos equipamentos sofisticados dentro de casa para conduzir um teste grandioso, mas é possível trabalhar com pouco. Simon Kolstoe, que ensina saúde baseada em evidências na Universidade de Portsmouth, propõe um experimento simples para verificar a eficácia da sua máscara.

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Coloque a sua máscara no rosto e tente soprar uma vela com ela. Se a tarefa for difícil, é porque menos ar – e, consequentemente, menos partículas – estão saindo da sua boca e atingindo o alvo. Se estiver curioso para ver como diferentes materiais se saem no experimento, a emissora ABC, dos Estados Unidos, mostrou alguns resultados:

Uma máscara de pano geralmente possui poros de 0,1 milímetro. O coronavírus é mil vezes menor que isso, então a lógica não é se ele consegue ou não atravessar pelos buracos – ele sempre consegue –, mas o quão longe ele é projetado quando alguém fala ou espirra. É muito melhor que o vírus fique próximo da pessoa infectada ao invés de ser jogado para outras pessoas e superfícies.

Algumas pesquisas já mostram que a gravidade da covid-19 depende não só do contato com o vírus, mas também da carga viral à qual o indivíduo é exposto. Um estudo realizado com militares na Suíça avaliou dois batalhões infectados pelo vírus. No grupo que não adotou máscaras nem distanciamento social, 30% dos soldados desenvolveu alguma forma da doença. Já no grupo que já estava adotando o distanciamento e as máscaras, nenhum soldado apresentou a doença, mesmo que o material genético do vírus tenha sido detectado nos testes de RT-PCR.

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Em outras palavras, a sua proteção depende muito mais de um esforço coletivo para o uso de máscaras do que de você mesmo. Também vale lembrar que a eficácia da máscara cai consideravelmente se for usada da maneira incorreta, seja com o nariz de fora ou com brechas entre o tecido e o rosto. Para retirá-la, o melhor procedimento é lavar as mãos primeiro e então evitar tocar na frente dela, manuseando-a apenas pelos elásticos das orelhas. No final, lave as mãos novamente. Depois, a máscara deve ser lavada ou descartada em uma lixeira não-reciclável. O meio ambiente agradece.

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