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Como funciona o déjà vu?

Cida Capo de Rosa

A sensação de déjà vu, diferentemente do que acredita muita gente, não é uma evocação de memórias de vidas passadas, como pregava o parapsicólogo francês Emile Boirac, criador do termo no século 18. Fenômeno de origem 100% biológica, ele ocorre quando há uma disfunção momentânea na comunicação entre os neurônios em algum ponto do córtex cerebral (especula-se que no hipocampo) responsável pela codificação das informações recebidas e seu armazenamento na memória.

“Normalmente, as pessoas registram impressões e imagens bem antes de terem consciência delas. Durante essa alteração (o tal déjà vu), um estímulo novo pode ser percebido como parte da memória, dando a sensação de que aquela experiência já aconteceu antes”, diz Gilberto Xavier, neurocientista do Instituto de Biociências da USP.

Essa sensação é muito mais comum do que se pensa. Segundo pesquisas recentes, cerca de dois terços dos americanos adultos disseram já tê-la experimentado pelo menos uma vez. Na maioria delas, o evento não sinaliza nenhuma anormalidade. “Contudo, se as sensações são freqüentes e vêm acompanhadas por perda da consciência e comportamentos autômatos – como ficar mastigando sem ter nada na boca ou ataques de sonambulismo –, então há motivos para suspeitar de epilepsia”, afirma a neurologista Ana Paula Hamad, da Escola Paulista de Medicina.