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Como o mundo enxerga a mudança climática?

Pesquisa explica por que a opinião varia tanto entre grupos e países

Por Fábio Marton Atualizado em 31 out 2016, 19h00 - Publicado em 31 jul 2015, 18h00

Pesquisadores da Universidade de Yale acabam de publicar um estudo sobre como é formada a opinião a respeito do aquecimento global. Isso se baseia numa pesquisa que abordou três quesitos: quantas pessoas tem consciência de que ele existe e, desses, quantos acreditam que seja causado por seres humanos e quantos o consideram uma ameaça.

No mundo todo, apenas 40% das pessoas tem a mais vaga ideia do que é mudança climática. Índia (35%), Egito (25%) e África do Sul (31%) ficam abaixo da média. O Brasil não está mal. Aqui, 79% das pessoas sabem que existe a mudança climática, dos quais 80% acreditam que é causada pela atividade humana e 76% a tomam por uma ameaça séria.

Apenas países ricos marcam mais de 90% no quesito consciência. Curiosamente, mais pessoas neles é cética quanto à causa humana. Nos Estados Unidos, apenas 49% atribuem a nós a culpa pela mudança climática. O campeão em ceticismo entre os ricos é a Holanda, onde apenas 44% das pessoas acreditam que a causa seja humana. O quesito ameaça também tem suas curiosidades: na Rússia, onde 85% sabem do aquecimento e 52% não são céticos, apenas 39% o consideram uma ameaça.

Como explicar essas discrepâncias? De acordo com Anthony Leiserowitz, principal cientista por trás do estudo, “o mais importante é a realização educacional, que é o fator mais associado com consciência [do aquecimento] mundialmente”. Depois disso, entram em jogo coisas como o acesso à mídia e como ela trata as questões. Em países como os Estados Unidos e a Holanda, opiniões céticas encontram mais divulgação que aqui. E, neles, a questão é politizada: conservadores tendem ao ceticismo quanto às causas humanas, progressistas, à aceitação. Um tanto obviamente, quem demonstra mais preocupação com o ambiente em geral também tende a considerar o aquecimento como algo causado pelos seres humanos e um grande perigo.

Por fim, também há um lado mais pessoal. Na China, o fator medo é muito maior em regiões urbanas. Isso acontece porque a poluição do ar lembra as pessoas constantemente do perigo ao meio ambiente – ainda que não tenha nenhuma relação direta com o aquecimento, já que é um fenômeno local. No Vietnã, onde não há tanta poluição, é simplesmente a percepção que o clima está mais quente que leva as pessoas a terem medo.

Uma nota final: os dados usados pelo estudo não são exatamente, desculpe o trocadilho, “quentes” – são o resultado de uma pesquisa do Instituto Gallup realizada entre 2007 e 2008. A razão é que foi uma das pouquíssimas a abordar o mundo todo. Os dados podem ser lidos na íntegra na Wikipedia (pode confiar, os próprios cientistas passaram).

 

Fonte
Predictors of public climate change awareness and risk perception around the world, Anthony A. Leiserowitz et al, Nature

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