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Como os pássaros migram?

Algumas espécies percorrem mais de 70 000 quilômetros pelo globo, mas até hoje os cientistas não sabem exatamente como elas acham o caminho.

Rodrigo Cavalcante

Aparentemente, os motivos que levam mais de 1 500 espécies de pássaros a migrarem milhares de quilômetros são simples: a busca de locais com abundância de alimentos, clima favorável e ambiente seguro para a reprodução. Acontece que muitas espécies voam muito mais longe do que seria necessário para encontrar esses refúgios. Andorinhas que vivem na Inglaterra, por exemplo, poderiam se adaptar bem ao clima da África equatorial. E ninguém ainda sabe porque esses pássaros preferem viajar milhares de quilômetros extras para passar o inverno na África do Sul.

Ao percorrerem essas grandes rotas, eles pegam carona em rodovias formadas por correntes de vento. Para não desperdiçarem energia, os pássaros alteram de altitude em busca das correntes favoráveis – que mudam de direção de acordo com a altura. Enquanto algumas espécies voam sem escalas por vários dias, a maioria delas quebra a viagem em pequenas paradas de “reabastecimento”. (Daí a importância da preservação desses pontos que, no Brasil, estão localizados no Amapá, no Pará, no Maranhão e no Rio Grande do Sul.)

Após monitorarem algumas espécies, os pesquisadores desconfiam de que essas aves têm uma “bússola interna” capaz de detectar o norte magnético. Além dessa habilidade, os pássaros usam o Sol, as estrelas, o olfato, a audição e a própria paisagem como orientação. O surpreendente é que as longas rotas migratórias percorridas por eles exigem consciência precisa do tempo e da posição no espaço. E, como essas aves são capazes de corrigir a direção mesmo após se desviar dela por milhares de quilômetros, os cientistas ainda não sabem exatamente como funciona essa espécie de GPS interno e tampouco como ele combina com eficiência todos os dados para que elas retornem ao destino original.

O Campeão de Longas distâncias

O bobo-escuro (Puffinus griseus), parente do albatroz, é a ave que mais voa no mundo. Após ser acompanhada de forma eletrônica no ano passado, os pesquisadores descobriram que a espécie percorreu 70 000 quilômetros em apenas 200 dias. Ou seja: o pássaro voou em média quase 350 quilômetros por dia. De acordo com a pesquisa, o bobo-escuro saiu do Havaí, passou pela Nova Zelândia, Polinésia e Japão antes de retornar ao seu ponto de origem.