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Detetives de laboratório

Desvendar crimes misteriosos é a especialidade da ciência forense - o ramo da medicina legal que usa as tecnologias mais avançadas para transformar pistas em provas.

Rafael Kenski

Dezembro de 2000, Nova York, a metrópole da “tolerância zero”. Um morador é baleado em um assalto – casos de latrocínio (roubo à mão armada) com vítimas fatais continuam sendo um fato quase banal no cotidiano da cidade.

Cinco dias depois, uma pequena mercearia é roubada e o criminoso, antes de fugir, também mata duas pessoas a tiros. Em ambos os casos, a principal pista deixada pelo assassino são as próprias balas.

Toda arma de fogo possui “impressões digitais”: ranhuras microscópicas que o atrito com o cano deixa na lateral de cada projétil. Por meio desses arranhões dá para identificar o modelo do revólver, metralhadora, o que for – além de seu calibre e outros detalhes.

Quatro meses depois desses dois crimes nova-iorquinos, um ladrão é preso durante um assalto à mão armada e tem sua pistola apreendida. Descobriram tratar-se de um condenado por assassinato cumprindo pena em liberdade condicional. A polícia, suspeitando do comportamento do sujeito, decidiu averiguar o que ele havia feito com sua arma. Os policiais atiraram contra um tonel de algodão, recuperaram a bala e a enviaram a um laboratório, que registrou as ranhuras em um banco de dados no computador. O resultado indicou que aquela arma havia sido usada no latrocínio, nos homicídios que se sucederam na mercearia e em dois outros crimes cometidos na cidade. A polícia pôde, então, correr atrás de pistas e prender o criminoso.

Em casos intrincados como esse, os investigadores têm se beneficiado muito da tecnologia oferecida pela ciência forense. Essa disciplina é batizada com um antiquíssimo adjetivo latino, forense, que quer dizer “respeitante ao fórum judicial” – ou seja, tudo o que ajuda os tribunais a cumprir sua espinhosa e delicada função de fazer justiça. Por trás dessa investigação está uma das invenções mais promissoras no combate ao crime: o IBIS, sigla em inglês para Sistema Integrado de Identificação Balística. É uma tecnologia canadense que transforma as impressões da bala em equações que podem ser analisadas em computador e guardadas em um banco de dados. Assim, a polícia tem como rastrear todos os crimes cometidos com a mesma arma e associar vários casos a um mesmo agressor. Em Pretória, África do Sul – uma das cidades em que o sistema obteve maior sucesso -, o IBIS ajudou a desvendar mais de 800 crimes em quatro anos.

Agora, o governo americano começou a utilizá-lo para registrar todas as armas vendidas no país. Dessa forma, os novos revólveres ou pistolas utilizados de maneira criminosa serão identificados imediatamente.

O IBIS é uma prova de como as novas tecnologias estão contribuindo para fazer da ciência forense uma das áreas do conhecimento que mais cresce. Cientistas e investigadores de todas as áreas têm pesquisado formas de encontrar e interpretar os mais sutis vestígios deixados pelos infratores. “Dependendo do caso, qualquer informação a mais pode ser decisiva para esclarecer um crime”, afirma o médico Daniel Muñoz, da Universidade de São Paulo, que chefiou a identificação das ossadas do carrasco nazista Joseph Mengele.

De todas as pesquisas, as de maior impacto até hoje são as relacionadas ao DNA. Em 1984, o médico Alec Jeffreys, da Universidade de Leicester, Inglaterra, elaborou um método de identificar as pessoas por meio de fragmentos do seu material genético. A partir dessa descoberta, qualquer resto de matéria orgânica (uma lasquinha de unha, um pêlo) deixado pelo criminoso pode ser usado para condená-lo. A técnica também ajudou a livrar inocentes: mais de 11 pessoas condenadas à pena de morte já foram inocentadas nos Estados Unidos com base em testes de DNA.

Hoje é possível identificar o material genético mesmo que se tenha apenas amostras minúsculas, como as encontradas na alça de uma mala, em bitucas de cigarro ou em guardanapos usados. Em um caso na Inglaterra, um sujeito jogou um tijolo na vitrine de uma loja e, a partir desse objeto arremessado, os peritos conseguiram extrair seu DNA. Dentro de poucos anos, os cientistas esperam obter a partir do material genético dados sobre a aparência do suspeito que permitam montar um retrato fiel.

Antes de fazer qualquer análise, no entanto, é necessário encontrar as amostras. Para resolver esse problema, o pesquisador Joel Smithpeter, dos Laboratórios Nacionais Sandia, dos Estados Unidos, desenvolveu um sistema que faz as matérias orgânicas brilharem na cena do crime, como roupas brancas sob a luz negra de uma pista de dança. “Algumas substâncias, como o sêmen, emitem luzes fluorescentes naturalmente. Outras, como o sangue, refletem a luz de maneira diferente do resto dos materiais”, afirma Smithpeter. Dessa forma, o cientista pôde desenvolver um sistema de filtros que elimina a iluminação ambiente e ressalta a fluorescência desses materiais. Tais filtros são acoplados a uma câmera de maior sensibilidade a essas pistas do que ao resto do espaço onde se encontram e detectam objetos que, por outros métodos, seriam invisíveis.

O sistema foi especialmente útil em 1999, quando a polícia de Albuquerque, no Novo México, Estados Unidos, encontrou, no banco traseiro de um carro, o corpo de uma mulher morta há alguns dias. Os investigadores suspeitavam de estupro, mas o tempo decorrido desde a morte parecia ter eliminado qualquer amostra de esperma. Foi quando Smithpeter entrou em ação. “A câmera indicou três possíveis rastros de sêmen na vítima e os testes de laboratório confirmaram a descoberta”, afirma Smithpeter.

Apesar das evidências encontradas com a nova tecnologia, a polícia não conseguiu identificar o assassino. “O DNA só funciona com comparação. Não adianta nada ter uma amostra mas nenhum suspeito”, afirma Daniel Muñoz. Para superar esse obstáculo, alguns países começaram a criar um banco de dados com o código genético de toda pessoa acusada de algum delito. A Inglaterra espera ter 3,5 milhões de amostras registradas até 2004, o que representaria um em cada 15 cidadãos. A solução de alguns casos faz as autoridades britânicas se entusiasmarem ainda mais com a tecnologia. Em janeiro de 2000, Stephen Snowden tentou roubar um uísque e acabou na delegacia, onde teve seu DNA fichado. Os testes o relacionaram a um caso de estupro cometido em 1991 e, com base nessa evidência, Snowden foi condenado a 12 anos de prisão. Apesar de sucessos como esse, o banco de dados de DNA tem sido alvo de muitos protestos de pessoas que temem que o cadastro comece a se espalhar além dos criminosos.

Muitos consideram que doar uma amostra do material genético para o governo é uma invasão de privacidade e uma forma de punir inocentes.

Enquanto não se decide a legitimidade dos cadastros de DNA, os cientistas avançam por outros meios para obter evidências mínimas que levem aos suspeitos. Em julho de 2000, também na Inglaterra, Sarah Payne, de apenas 8 anos, desapareceu do quintal da sua casa e foi encontrada morta 16 dias depois. A única peça de roupa que ela vestia era uma sandália com um fecho de velcro, da qual foram retiradas 350 fibras. Os cientistas as analisaram uma a uma. Com a ajuda de um aparelho de microespectrofotometria – capaz de determinar as substâncias presentes nas fibras pela forma como absorvem a luz -, eles relacionaram alguns dos fiapos a um casaco encontrado no carro de Roy Whiting, um dos suspeitos. Quando a vestimenta foi enviada para o laboratório, os cientistas encontraram ali um fio de cabelo de Sarah. Depois de 17 meses de investigação, eles conseguiram obter evidências suficientes para condenar Whiting à prisão perpétua.

O nível de sofisticação atingido pelos laboratórios permite determinar a composição e a origem de cabelos, tecidos, suor, grãos, sementes e até pólen de plantas encontradas na cena do crime – evidências úteis para descobrir os lugares por onde a vítima passou. Mesmo que o bandido tenha incendiado as evidências, uma técnica chamada cromatografia gasosa pode determinar as substâncias usadas para acender o fogo responsável pela queima de arquivo.

Muitas dessas ferramentas de laboratório estão se tornando portáteis o suficiente para analisarem substâncias no próprio local do crime. Hoje em dia, a melhor ferramenta capaz de identificar uma substância química no ambiente ainda é o olfato dos cães. Mas Dave Hannum, dos Laboratórios Nacionais Sandia, dos Estados Unidos, inventou um “dispositivo farejador”, capaz de detectar resíduos de explosivos menores que 1 nanograma – quantidade 100 000 vezes menor que a encontrada nas impressões digitais de alguém que segurou uma bomba ou uma maleta com substâncias inflamáveis. O segredo do aparelho está em um filtro que concentra essas substâncias até torná-las densas o suficiente para serem analisadas por versões portáteis dos aparelhos antes só encontrados em laboratório. “Podemos detectar diversas substâncias, mas, por enquanto, estamos nos concentrando em identificar explosivos, narcóticos e alguns químicos mais comuns”, afirma Hannum.

A nova tecnologia, no entanto, não significa que os cachorros estejam se tornando obsoletos. “Cada técnica tem seus prós e contras. Nossos amigos caninos são excelentes para seguir um rastro até a sua origem, como no caso de uma bomba enterrada em um prédio”, diz Hannum. “Mas, uma vez encontrado esse local, o nosso aparelho é a melhor forma de verificar e identificar o material explosivo.” As máquinas possuem também a vantagem de trabalhar 24 horas por dia e, segundo Hannum, poderão um dia superar os cães em todos os quesitos. “Os pesquisadores acreditam que estamos muito perto de reproduzir eletronicamente a sensibilidade de um cachorro. Seja como for, ainda teremos que trabalhar muito até conseguir desenvolver um aparelho que nos leve até a fonte de um cheiro.”

Algumas das soluções mais importantes para a ciência forense, no entanto, não têm nenhuma relação com alta tecnologia. Elas são apenas fruto de estudos e simulações das diversas situações que podem ser encontradas em uma cena de crime. Durante mais de uma década, o bioquímico Arpad Vass, do Laboratório Nacional Oak Ridge, Estados Unidos, tem trabalhado em um centro de pesquisas com o pouco simpático nome de “fazenda de corpos”. Quem passa por lá encontra cerca de 20 cadáveres humanos espalhados pelo chão, enterrados em covas rasas ou jogados no banco traseiro de um carro enferrujado. Vass estuda o efeito do tempo e da natureza sobre o corpo para descobrir há quanto tempo a vítima está morta. Suas pesquisas forneceram técnicas que ajudaram na solução de mais de 100 casos. Uma delas é analisar, ao redor do corpo, a concentração de cinco ácidos liberados pela decomposição de músculos e gordura.

Se o cadáver já estiver reduzido ao esqueleto – o que, dependendo das circunstâncias, pode acontecer em poucas semanas -, é possível analisar também a concentração de sete compostos inorgânicos (como sódio, potássio e cálcio) que escorrem dos ossos para o solo. Essas taxas mudam de maneira previsível para todos os seres humanos, tendo como única variável o peso do defunto. Dessa forma, Vass consegue estimar o tempo de morte com uma margem de erro de dois dias para cada 30 decorridos desde a morte. Ele estuda agora outras substâncias – encontradas no coração, no fígado, nos rins, no cérebro ou nos músculos – que consigam reduzir essa margem de erro a apenas poucas horas do momento da morte.

Outro grupo que também investe em fazendas de corpos são os entomologistas (estudiosos de insetos) forenses, que estudam a sucessão de bichinhos necrófagos que atacam o cadáver. O mais comum, nesses casos, é utilizar porcos como cobaia. Esses animais, assim como o ser humano, comem de tudo, possuem poucos pêlos e uma pele parecida com a nossa. Analisando os ciclos de vida dos diferentes insetos que devoram cadáveres em cada região do planeta, os cientistas conseguem detectar o tempo e até a área em que a vítima morreu.

Outra técnica treinada à exaustão é a análise de marcas de sangue. Pelas manchas encontradas na cena do crime, um especialista pode dizer o local e a posição da vítima e até a arma com que ela foi atacada. “É raro precisar fazer novas experiências hoje em dia. Nós simplesmente já as fizemos antes, muitas vezes. Temos tanta experiência nos padrões de sangue encontrados em laboratório e nas cenas dos crimes que, na maior parte das vezes, já estivemos lá e fizemos tudo antes”, afirma Herbert MacDonell, do Instituto de Evidências de Marcas de Sangue, Estados Unidos, que trabalhou nos casos dos assassinatos do presidente Kennedy e de Martin Luther King e criou uma das técnicas mais afiadas para interpretar tais manchas.

Até mesmo a sismologia – a ciência que estuda tremores de terra – tem ajudado os investigadores. Em agosto de 2000, quando o submarino russo Kursk afundou no Mar de Barents, uma equipe americana de sismologistas forenses reuniu dados de várias estações próximas ao acidente e descobriu – antes mesmo das autoridades russas – o local do acidente, mais a natureza e a força da sua explosão.

Além dos crimes que envolvem sangue e cadáveres, existe um número cada vez maior de delitos digitais, cometidos apenas com computadores, que estão na mira da ciência forense. Para combatê-los, especialistas em computação têm criado formas de investigar os dados nas máquinas sem alterar o conteúdo da sua memória. Muitas vezes, o simples ato de ligar o aparelho pode destruir informações valiosas – se elas estiverem em arquivos temporários.

Os computadores também são utilizados para recriar no tribunal as situações do crime. Softwares de modelagem 3D – semelhantes às utilizadas nas animações de Hollywood – combinam as leis da física às informações específicas do caso para simular desde o movimento de uma pessoa rolando escada abaixo até a visão do motorista em um acidente de trânsito. “São ferramentas muito importantes para explicar a situação e convencer o júri de que aquilo é possível de acontecer”, afirma Carl Bahor, diretor da Visual Forensics, uma firma de simulações computadorizadas com sede na Califórnia. Sua equipe ajudou, por exemplo, a inocentar um piloto da Marinha americana que, em fevereiro de 1998, havia se chocado contra os cabos de uma estação de esqui na Itália, derrubando uma gôndola de teleférico e matando 20 pessoas. A acusação era de que ele tinha sido irresponsável por voar baixo demais.

Bahor recriou o ambiente com fotos aéreas e imagens de satélite para reproduzir a ilusão de óptica que deu ao piloto a impressão de estar subindo quando ele, na verdade, se dirigia rumo ao solo. Ao tentar estabilizar o avião, acabou voando baixo demais e cortando um dos cabos. Apesar do sucesso da técnica, o veredito não agradou os italianos e reforçou uma velha polêmica: a de que as tecnologias podem manipular o júri. Essas imagens, tão realistas quanto os melhores efeitos especiais de Hollywood, podem dar a impressão de que os jurados estão assistindo ao crime real e não a uma versão simulada.

Outra das maiores polêmicas da ciência forense continua sendo a confiabilidade dos detectores de mentira. Os aparelhos atuais partem do princípio de que mentir altera o estado emocional do suspeito, causando mudanças no pulso, na pressão sangüínea, na respiração, na transpiração e no tom de voz. Os críticos dessa técnica afirmam que é possível mentir friamente e que o estresse de um suspeito inocente pode interferir no resultado. Por esse motivo, as pesquisas recentes tentam identificar os mentirosos sem depender das reações emocionais. Algumas tentam uma abordagem bem simples, como medir o tempo de resposta: um mentiroso precisa pensar mais para inventar seu álibi e, por isso, demora mais para falar.

Existem, no entanto, pesquisadores interessados em retirar a verdade diretamente do cérebro do acusado. Ao observar algo familiar em uma imagem, o cérebro emite um tipo particular de impulsos elétricos entre 300 e 800 milissegundos depois do estímulo. Os cientistas acreditam que essas ondas podem ser utilizadas para saber se uma pessoa tem alguma lembrança de cenas ligadas ao crime. O suspeito não precisaria nem falar nada: a forma como o seu cérebro reagiria às cenas apresentadas ou à acusação seria suficiente para condená-lo. Mas, assim como os detectores de mentira anteriores, é possível que essas novas máquinas também errem. “O funcionamento cerebral pode ser estimulado por algo que não tenha a ver com o crime – um susto, por exemplo”, afirma o psiquiatra forense Guido Palomba, diretor da Associação Paulista de Medicina. Por isso, uma das melhores armas forenses continua sendo a astúcia dos investigadores.

“A tecnologia é muito útil em certos casos, mas 90% das soluções surgem de uma investigação bem-feita”, afirma Daniel Muñoz. Apesar de toda a tecnologia, sempre serão necessários investigadores cuidadosos, capazes de preservar as evidências e interpretá-las da maneira correta. Ou, segundo MacDonell: “As ferramentas mais importantes continuam sendo a câmera fotográfica e o microscópio. As máquinas mais sofisticadas nas mãos de um tolo nunca produzirão resultados tão bons quanto uma lanterna e uma lupa na mãos de alguém com bom senso e capacidade de observação”.

Na cena do crime

A ciência forense encontra milhares de pistas mesmo nos assassinatos mais enigmáticos

SANGUE ESPIRRADO

O tamanho de uma mancha indica a causa da morte. Uma gota que cai no chão sem nenhuma interferência tem cerca de 3 mm de comprimento. Se for menor que isso, é sinal que ela foi projetada por algum impulso – como um soco ou uma arma movimentada durante a agressão. Manchas menores que 1 mm são resultado de um espirro da vítima ou de uma força muito grande, como a de uma arma de fogo.

 

Os cientistas acham o ângulo em que cada gota caiu e traçam linhas que convergem para o local do ataque. Aqui, a vítima de joelhos indica que já estava rendida pelo assassino

 

1 – Orelha impressa

Assim como as pontas dos dedos, as orelhas deixam rastros únicos – perfeitas para identificar um suspeito. Ao escutar por trás da porta ou utilizar um fone de ouvido, o criminoso deixa pistas valiosas no local

 

2 – Insetos e vermes

Logo após a morte, o corpo é invadido por moscas, besouros e outros seres necrófagos. Pelo ciclo de vida e hábitat dos bichos, dá para saber hora e local do crime

 

3 – Rastro pedestre

As marcas do pé do agressor dão pistas do seu tamanho e peso. O sapato do criminoso também pode ter trazido materiais úteis para rastreá-lo, como restos de terra ou sementes

 

4 – Tá lá o corpo estendido no chão…

Logo após a morte, o corpo humano começa a esfriar, a enrijecer e a mudar de cor em um padrão previamente conhecido. Um médico que vá até a cena do crime consegue determinar a hora da morte com precisão suficiente para verificar o álibi de um suspeito

 

5 – Casca de ferida

O círculo de pólvora na camiseta indica que esse tiro foi disparado a média distância. A trajetória da bala dentro do corpo também indica a posição da vítima no momento do disparo

 

6 – Problema digestivo

Restos de alimentos são pistas valiosas. Se foram comidos pela vítima, o grau de digestão no estômago pode indicar o tempo de morte. Se a mordida foi feita pelo assassino, será possível identificá-lo pela arcada dentária

Disparos a curto e longo alcance

A distância do tiro é revelada pelas marcas na ferida

O disparo de uma arma acontece quando a pólvora da bala detona e lança o projétil. A explosão também expele fuligem e partículas arrancadas do projétil pelo atrito com o cano. Cada um desses elementos atinge uma distância diferente – mas que se mantém constante para uma mesma arma. Olhando para a ferida, é possível dizer a distância a que foi feito o disparo

 

Até 10cm

O fogo de um tiro à queima-roupa chamusca os pêlos próximos da ferida

 

De 10 a 50cm

Grãos de pólvora deixam no corpo um círculo acinzentado

 

De 50 a 70cm

A vítima é atingida também por pequenas partículas metálicas

 

E 70 em diante

À longa distância, o único vestígio do tiro é o furo da bala

Para saber mais

Na livraria:

Dead Reckoning: The New Science of Catching Killers, Michael Baden e Marion Roach, Simon & Schuster, Estados Unidos, 2001

Criminalistics: An Introduction to Forensic Science, Richard Saferstein, Prentice Hall College, Estados Unidos, 2000

 

Na internet

FBI Handbook of Forensic Services http://www.fbi.gov/hq/lab/handbook/intro.htm

CSI: Crime Scene Investigation http://www.cbs.com/primetime/csi/main.shtml