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E se dividíssemos a Terra com outra espécie inteligente?

Isso já até aconteceu, e não se sabe exatamente por que eles perderam a batalha

Isso já aconteceu. Há mais ou menos 30 mil anos, o Homo sapiens disputava território com o Homo neandertalensis na península Ibérica. Os neandertais existiram durante 270 mil anos, eram bem adaptados ao frio, tinham um cérebro 10% maior do que o nosso e eram muito fortes e musculosos. Não se sabe exatamente por que eles perderam a batalha. Uma das teorias culpa o período de gestação das fêmeas, que demorava 12 meses – o que implicava uma população menor que a nossa.

E se, em alguma curva do circuito evolutivo, uma outra espécie tivesse se desenvolvido a ponto de criar civilização, indústria e linguagem? Ou algum bicho extraterrestre tivesse se instalado na Terra e se adaptado bem? “Num primeiro momento, entraríamos em guerra pelo controle do território. Em uma certa altura, se uma espécie não fosse capaz de destruir a outra, alcançaríamos um equilíbrio de forças”, responde o especialista em comportamento animal Cesar Ades, da USP.

Se não fôssemos os grandes senhores do planeta, viveríamos em um eterno clima de guerra, como leões e hienas: seríamos fortemente armados, nossa indústria militar teria se desenvolvido muito rápido, mas não usaríamos todos os artefatos disponíveis, para evitar uma hecatombe. O mesmo aconteceria com nossos concorrentes.

Como espécie, nós humanos seríamos mais unidos. “Com um inimigo em comum, perderíamos menos tempo nos agredindo”, diz Cesar. Imagine que nossos concorrentes fossem mais adaptados a determinados ambientes do que nós – o frio, por exemplo. O território do planeta seria dividido em centenas de manchas de controle, com as serras gaúchas dominadas por eles e as praias da Bahia por nós, por exemplo.

Em lugares adequados a ambas as espécies, poderíamos viver juntos. ”Provavelmente, alguns lugares seriam como os Países Baixos, em que povos diferentes, como os belgas e os flamengos, convivem em paz. Em muitos outros, existiria uma espécie de Palestina, com guerras intermináveis”, diz Cesar.

Nos lugares mais pacíficos, é possível que a interação cultural fosse intensa: aprenderíamos as línguas deles, faríamos filmes bilíngues juntos, traduziríamos romances e peças uns dos outros. Mas seria difícil a existência de uma sociedade globalizada, já que as viagens mais longas sempre presumiriam trechos em território hostil. Democracia, então, nem pensar: num mundo altamente militarizado, o poder iria para comandantes autoritários, capazes de tomar decisões sem discussão.

Como poderia ser essa criatura

POLEGARES, ONDE ESTÃO?
Para fundar uma civilização do jeito que conhecemos, é fundamental ter o polegar opositor, que nos permite fazer o movimento de pinça – e, com ele, construir coisas e operar máquinas. Sem isso, não existe desenvolvimento.

REPRODUÇÃO SINCRONIZADA
Se a taxa de reprodução deles fosse muito maior ou muito menor do que a nossa, não demoraria muito para uma das espécies dominar a outra por causa da superioridade numérica. Então eles teriam que ter, ao longo da vida, mais ou menos tantos filhos quanto nós.

BICHO-CABEÇA
Seres inteligentes, capazes de criar uma civilização tão desenvolvida quanto a nossa, precisariam ter um cérebro capaz de articular informações e criar linguagem. E não bastaria saber se comunicar, pois qualquer animal faz isso. Seria preciso que nossos concorrentes fossem capazes de criar arte.

PELUDO E FEDORENTO
Nossos concorrentes precisariam de uma espessa pelagem para proteger seu corpo. No meio dos pêlos, pequenos insetos cuidariam da limpeza da pele. Ainda assim, o cheiro faria com que eles fossem repugnantes para nós. E eles achariam o nosso corpo peladão muito esquisito.