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E se… a Terra estivesse na rota de um asteróide?

Para ter uma idéia do estrago, estima-se que um objeto com 800 metros de diâmetro liberaria dez milhões de vezes mais energia que a bomba jogada sobre Hiroshima.

Por Da Redação Atualizado em 31 out 2016, 18h54 - Publicado em 31 ago 2002, 22h00

Gonzalo Navarrete

Acredite: essa não é uma hipótese tão remota assim. Não faz dois meses que a Nasa (agência espacial americana) informou que um asteróide, com aproximadamente 2 quilômetros de diâmetro, poderia atingir o planeta em março de 2019. Para ter uma idéia do estrago, estima-se que um objeto com 800 metros de diâmetro liberaria dez milhões de vezes mais energia que a bomba jogada sobre Hiroshima. A ameaça logo foi descartada: após refazer os cálculos, a Nasa descartou a colisão. Mas e se a trombada fosse confirmada?

O encontro poderia ser com o mesmo asteróide que a Nasa acaba de descartar, batizado de 2002NT7. Segundo os cálculos da agência, ele poderia voltar a incomodar em 2060.

Em média, corpos celestes como o que teria extinguido os dinossauros há 65 milhões de anos, caem na Terra a cada 100 milhões de anos. Por essa lógica, teríamos 35 milhões de anos livres de ameaças pela frente, certo? Mais ou menos. Objetos menores, que nos atingem em intervalos menores, também causam grandes estragos. Que o digam os bosques da desabitada Sibéria, dizimados em 1908 quando um meteoro destruiu 2 000 quilômetros de floresta. Estima-se que a superfície da Terra tenha pelo menos 150 crateras abertas por objetos caídos do céu. Todos eles causaram bastante destruição.

É difícil dizer se saberíamos da ameaça com antecedência suficiente para fazer algo. Embora haja muitos institutos astronômicos vigiando o céu em busca desses corpos, a observação não é fácil. Segundo o presidente da Sociedade Brasileira para o Ensino da Astronomia, Walmir Cardoso, se o objeto fosse pequeno só seria visto quando estivesse muito próximo. E se fosse detectado a grande distância ficaria difícil fazer um cálculo confiável sobre sua rota exata. A composição dos asteróides, que geralmente é rochosa e escura, reflete pouca luz e também dificulta a identificação.

A ameaça, ironicamente, pode vir de um asteróide bem conhecido dos patrulheiros do céu. Só a Nasa tem catalogados próximos da Terra mais de 1 000 asteróides com mais de 1 quilômetro de diâmetro, o bastante para causar uma catástrofe. Por enquanto, só um deles preocupa: o 1950DA, com 2 quilômetros de diâmetro, que poderia nos atingir em março de 2880.

Mas é possível que os outros mudem de rota a qualquer momento, porque o Universo é um sistema instável, e alguma perturbação, como a passagem de um cometa, pode mudar a rota de um astro hoje inofensivo, diz Enos Picazzio, pesquisador do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo.

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Se fosse confirmada, a ameaça provavelmente causaria pânico aqui na Terra. Foi o que houve em 1910, quando o cometa Halley passou bem próximo da Terra e brilhou no céu por vários dias. Os relatos da época citam pânico, suicídios e previsões de que o mundo ia acabar.

Poderíamos evitar o desastre? É possível. Há várias soluções imaginadas para driblar o problema (veja infográfico), mas ninguém sabe se elas funcionariam. O que se sabe é que a salvação do planeta dependeria da participação dos Estados Unidos e dos países ricos.

Se as soluções imaginadas não funcionassem, poderíamos esperar pelo pior. Um objeto do tamanho do 2002NT7 (o que a Nasa acaba de descartar) poderia varrer continentes do mapa, causar imensos maremotos e alterar o clima, provocando fome e extinção de animais, inclusive a espécie humana.

Do ponto de vista da evolução da vida do planeta, uma colisão que extinguisse a humanidade não seria necessariamente negativa, segundo os especialistas. “Afinal, nós somos a raça que menos contribuiu para o equilíbrio da Terra”, diz Cardoso.

Tiro ao alvo espacial

Conheça as idéias dos cientistas para evitar a colisão

1 – Lançar um foguete com explosivos em direção ao asteróide ou cometa. Ao atingir o objeto, a explosão desviaria sua trajetória. O problema é que, se forem usados explosivos convencionais (pólvora, plásticos), seria necessária uma quantidade enorme de material, um foguete enorme para transportá-los e uma base de lançamento também gigantesca.

2 – Atingir o objeto com uma ogiva nuclear não exigiria grandes foguetes. O problema é que, se o impacto ocorresse a menos de 150 000 quilômetros da Terra (menos da metade da distância até a Lua), os destroços do asteróide poderiam atingir o planeta. Detalhe: os pedaços cairiam na Terra contaminados pela radiação.

3 – Fincar velas, como as de veleiro, de um material especial, na superfície do asteróide. Quando essas velas fossem abertas, o vento solar, um fluxo de partículas carregadas de eletricidade que emana do Sol, poderia fazer com que a trajetória fosse alterada.

4 – Deixar sondas ou foguetes em pontos estratégicos no espaço. Ao detectar um asteróide que ameaça o planeta, as naves seriam encaminhadas na direção do objeto. Elas poderiam ser pousadas na superfície do asteróide e depois detonadas para mudar sua trajetória ou destruí-lo.

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