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É verdade que só usamos 30% de nossa capacidade cerebral?

Por Da Redação Atualizado em 31 out 2016, 18h48 - Publicado em 30 set 2000, 22h00

(Anderson Luiz Bernardo, Florianópolis, SC)

Não! Isso não passa de um mito. Segundo Jackson Cioni Bittencourt, neuroanatomista do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo, o engano surgiu a partir de experimentos realizados entre 1930 e 1950, durante neurocirurgias. Foi quando pesquisadores aproveitaram operações sem necessidade de anestesia geral, em que o paciente permanecia consciente, para estimular com eletrodos certas áreas do cérebro. “Esses estímulos faziam as pessoas mexer partes do corpo, sentir cheiros e ver coisas”, diz Jackson. “Aí, passaram a associar certas áreas do cérebro a funções específicas.”

O erro estava em achar que essas áreas agiam sozinhas, quando, na verdade, o cérebro funciona em conjunto. “A diferença é que, durante certas atividades, algumas regiões consomem mais glicose e oxigênio, dando a impressão de estarem trabalhando sozinhas”, afirma Vanderlei Cerqueira de Lima, neurocirurgião do Hospital Albert Einstein. “Hoje, conhecemos melhor o cérebro humano e podemos dizer que, até mesmo quando dormimos, ele funciona por inteiro, tanto biologicamente – cuidando da homeostasia, que é o equilíbrio do corpo – quanto cognitivamente; ou seja: sonhando”.

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