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Empresa britânica quer extrair oxigênio de rochas lunares

Tecnologia aplicada pode ainda liberar alumínio, ferro e outros pós metálicos para serem utilizados na construção de uma base na Lua.

Por Carolina Fioratti 10 nov 2020, 17h30

Há 48 anos, o americano Eugene Cernan se tornava o último homem a pisar na Lua. Agora, as agências espaciais planejam retornar ao satélite com força total, não apenas enviando outros astronautas para lá – como pode ocorrer em 2024, com a chegada da primeira mulher na Lua –, mas também montando uma base no local. 

Tirar essa ideia do papel, no entanto, não é tão simples assim. Antes de tudo, é necessário investir em tecnologias que possibilitem a vida fora da Terra. Pensando nisso, a Agência Espacial Europeia (ESA) fechou um contrato de aproximadamente £ 250 mil com uma empresa britânica que pretende converter poeira lunar em oxigênio e materiais de construção. 

A empresa em questão é a Metalysis, com sede em Rotherham. Sua especialidade é obter metais preciosos a partir de minerais para aplicação na indústria eletrônica. Neste ano, cientistas da Metalysis e da Universidade de Glasgow mostraram por meio de um estudo que a técnica utilizada por eles poderia ser adaptada para o uso espacial. 

Análises de rochas trazidas da lua revelam que cerca de 45% de sua composição é oxigênio, sendo o resto elementos metálicos. A ideia da empresa é utilizar um processo chamado eletro-desoxidação. Funciona assim: têm-se dois eletrodos conectados, o óxido metálico e outro feito de algum elemento inerte. Ambos são submersos em cloreto de cálcio. Assim, cria-se uma corrente elétrica, que faz com que os átomos de oxigênio deixem o óxido metálico rumo ao outro eletrodo. Veja a simulação na imagem abaixo: 

Bethany A.Lomax et al. / Planetary and Space Science/Divulgação

Na Terra, esse oxigênio seria liberado no ar, já que a prioridade é o metal. Já na Lua, o oxigênio é o objetivo principal, sendo as ligas metálicas de ferro e alumínio apenas um bônus que pode ser aplicado na construção da base lunar. Nos testes, feitos por cientistas da Metalysis e da Universidade de Glasgow, foi extraído cerca de 96% do oxigênio presente em solo lunar simulado. 

Usar materiais já disponíveis na Lua para o desenvolvimento de uma base é vantajoso por vários aspectos. Enviar matéria-prima daqui não é boa opção, já que cada meio quilo de carga custa US$ 10 mil. Além disso, a base lunar permite que viagens mais longas, como a Marte, sejam feitas a partir dela. Para ir até o planeta vermelho ou outros locais do espaço profundo é preciso de um combustível, como o oxigênio. Dessa forma, a Lua serviria como um posto de gasolina.

A técnica também permitiria gerar oxigênio para que os humanos da base possam respirar (os tripulantes da Estação Espacial Internacional, por exemplo, consomem 2,5 kg do gás por dia).

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