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Erupção de vulcão: Cabruuumm!!!

Cada explosão tem seu próprio estilo. O grau de violência depende da composição do magma.

Gabriela Yama

No dia 26 de agosto de 1883, o vulcão Krakatoa, na Indonésia, produziu uma das erupções mais violentas da História. O barulho foi ouvido na Índia, a 5 000 quilômetros de distância. Já o Kilauea, no Havaí, derrama sua lava gentilmente há séculos, sem machucar ninguém. A diferença entre a fúria do vulcão indonésio e a tranqüilidade turística do havaiano é uma pura questão de química.

Uma erupção começa quando a pressão na câmara magmática fica grande demais, expulsando a rocha incandescente armazenada lá dentro. O tamanho do estrago depende da quantidade de lava que é lançada para a superfície e da sua composição. Esses fatores variam muito, não só de um vulcão para o outro, mas entre as próprias explosões na mesma cratera. O principal ingrediente da lava é a sílica, presente no basalto do manto. Em baixa concentração, ela produz um magma quase líquido, como o dos vulcões do Havaí. Em excesso, aumenta sua viscosidade, deixando-o quase sólido – o que causa erupções explosivas. Outro fator é a quantidade de gases dissolvidos no magma. Eles aumentam brutalmente a pressão no conduto. Se há escombros tampando a cratera, os gases estouram como uma garrafa de champanhe depois de sacudida.

No Krakatoa havia um coquetel de todos os ingredientes explosivos que podem coexistir numa erupção. O magma era muito viscoso e rico em gás. Para piorar, ocorreu uma infiltração de água do mar no conduto. Em contato com o magma, ela formou uma coluna de vapor. Sorte de quem não estava lá na hora.

Família da fumaça

Os principais tipos de erupção.

Stromboliana – bombas de lava

 

Grandes explosões lançam ao ar blocos de lava viscosa, com alta concentração de gás. As erupções acontecem a intervalos regulares. O Stromboli, na Itália, cospe lava a cada hora quando entra em atividade.

 

Havaiana – Rios incandescentes

Magma com pouca sílica – portanto, muito líquido – escapa de grandes fissuras laterais do vulcão, formando rios que se estendem por quilômetros. Quando sai da abertura central, a lava pode ser lançada a centenas de metros de altura. Os melhores exemplos são o Kilauea, no Havaí, e o Piton de La Fournaise, na Ilha de Reunião, no Oceano Índico.

 

Pliniana – Explosão apocalíptica

Descrito pela primeira vez pelo escritor romano Plínio, o Jovem (61-184), em Pompéia (veja o texto na página 12), é o tipo mais violento de erupção. Acontece quando o magma viscoso explode dentro do vulcão, lançando uma nuvem de cinzas, rocha e gases que pode atingir mais de 20 quilômetros de altura. Foi o caso do Pinatubo, nas Filipinas, em 1991.

 

Peleana – Cinzas que matam

O magma, rico em sílica, entope a saída da chaminé e escapa pela encosta, derretendo-a. Os gases e as cinzas são tão densos que descem a montanha a uma velocidade imensa, misturados à lava. O fenômeno é conhecido como nuvem ardente. Foi o que aniquilou a cidade de Saint-Pierre, na Martinica, em 1902, durante uma erupção do Monte Pelée.

Repertório mortífero

Acredite, a lava não é o maior perigo vulcânico.

Torrente de fogo

 

Fluxos de lava como os do Etna podem atingir uma velocidade de 50 quilômetros por hora, dependendo da sua composição e da quantidade que escorre pela abertura. Raramente matam, mas causam incêndios devastadores.

 

Perigo invisível

Quando o magma aflora, libera os gases tóxicos diluídos nele, como o gás carbônico e o dióxido de enxofre. Mais pesados que o ar, eles descem e sufocam plantas e animais. Em 1986, pelo menos 1 500 moradores dos arredores do Lago Nios, em Camarões, morreram asfixiados por gás carbônico.

 

Chuva de pó

As nuvens de cinza, como as do Pinatubo, são tão densas que derrubam prédios. Onde caem, destroem lavouras, poluem rios e matam animais. Podem derrubar aviões e se espalhar pela estratosfera, enlouquecendo o clima.

 

Bombas incendiárias

Os piroclastos (do grego, pedaços de fogo) são rochas incandescentes lançadas ao ar (aqui, os do Kilauea). Podem alcançar até 10 quilômetros de distância. Quando endurecem, algumas dessas rochas ganham o nome de pedra-pomes.

 

Lama destruidora

Uma avalanche conhecida como lahar se forma quando o material expelido pelo vulcão se mistura com água. No Nevado del Ruiz, na Colômbia, em 1985, um lahar causado pelo derretimento da neve desceu a encosta do vulcão e soterrou a cidade de Armero, fazendo 23 000 mortos.

 

Nuvem assassina

O efeito mais mortífero de uma erupção é o fluxo piroclástico. É uma mistura fervente de pó, rochas e gases que desce a encosta do vulcão a até 200 quilômetros por hora, arrasando tudo no caminho. Acontece em erupções plinianas, como a do Soufrière, na Ilha de Montserrat, no Caribe, em 1997.