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Este projeto vai permitir que você tenha fósseis de dinossauro em casa

Jurassic Blocks reúne pedaços de 15 fósseis das espécies que apareceram na saga "Jurassic Park"; veja quanto vai custar

Jurassic Park transformou os dinossauros em febre desde o seu lançamento, em 1993. De lá pra cá, cinco filmes depois, o universo dos dinos ainda gera fascinação. E se você acha que só é possível entrar em contato com os fósseis dessas criaturas dentro dos museus, é hora de conhecer uma nova iniciativa que promete levá-los até a sua casa.

O projeto Jurassic Block é uma campanha de financiamento coletivo do Kickstarter para viabilizar um item de decoração pré-histórico: uma placa de acrílico com 15 fragmentos de fósseis de 15 espécies de dinossauros que, claro, deram as caras na franquia do cinema.

Tem de tudo um pouco: dos clássicos T-Rex e Velociraptor a pedaços fossilizados de ovos de dino e de insetos preservados em âmbar, iguais aos que, na ficção, trouxeram os animais de volta à vida.

 (IWT Designs/Divulgação)

Mercado de antiguidades

Você deve estar se perguntando “Pera, é possível comprar fóssil de dinossauro?”. Pois é. Os registros históricos dos antigos moradores da Terra têm sido cada vez mais requisitados por colecionadores particulares, que encontram os fósseis tanto em leilões e antiquários especializados quanto em sites de compras como o eBay.

Os preços variam bastante. Dá pra comprar desde um fóssil de dente de tubarão por US$ 5 até um esqueleto completo de dinossauro por cifras milionárias. Em abril, uma casa de leilões de França vendeu um da espécie diploco por cerca de R$ 2 milhões.

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Museu em casa

Os pequenos fósseis do Jurassic Block vieram de escavações de várias partes do mundo. O Tiranossauro Rex saiu de um sitio arqueológico do estado de Wyoming, nos EUA. Já os raptors, de Dakota do Sul. O Espinossauro, por sua vez, veio diretamente de Marrocos.

A campanha, que já arrecadou mais de US$ 18 mil (superando com folga a meta inicial de US$ 5.000), garante que os exemplares usados foram adquiridos de curadores e distribuidores oficiais e que haverá um certificado de autenticidade em cada produto, além de um relatório de cada curador sobre a peça.

Os Jurassic Blocks serão entregues em qualquer país e custarão a partir de US$ 175 (mais impostos de importação) para quem comprar durante essa fase inicial de financiamento – uma demonstração de carinho pelos dinos infinitamente mais segura do que tentar criar um parque com eles.

Vale o aviso

Por mais legal que possa parecer, não são todos os lugares que permitem a comercialização de fósseis, prática que inclusive pode afetar o estudo científico desses materiais. No Brasil, uma lei de 1942, da época de Getúlio Vargas, garante que os fósseis encontrados aqui pertencem ao país.

Para entender melhor a questão, a SUPER conversou com Rodrigo Temp Müller, paleontólogo do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da UFSM (Universidade Federal de Santa Maria):

SUPER: Como funciona o mercado de fósseis no mundo? 
Rodrigo: Existem alguns países que permitem a venda de fósseis coletados em seu território. Entretanto, esse não é o caso do Brasil. Em 1942 o Decreto-Lei 4.146 torna os fósseis coletados em território nacional um bem da União, deste modo, comercializar fósseis brasileiros é ilegal. Porém, antes da criação desta lei, muitos fósseis coletados no Brasil por pesquisadores estrangeiros acabaram sendo levados para outros países, onde continuam depositados até hoje. Isso acaba prejudicando aqueles que desenvolvem pesquisa aqui no Brasil e precisam analisar esses fósseis.

Qual o impacto desse mercado paralelo para as pesquisas científicas?
O princípio da ciência é a replicabilidade. Quando se trata de paleontologia, um dos principais métodos aplicados é o da anatomia comparada: muitas das informações que nós conseguimos produzir são resgatadas através da morfologia dos fósseis. Uma vez que o fóssil está em uma coleção particular, ele poderá não ser mais acessível para que outros pesquisadores possam examiná-lo. Isso faz com que uma interpretação de algum pesquisador sobre aquele determinado fóssil não seja reavaliada por outros pesquisadores.

O que acontece quando uma pessoa encontra um fóssil? O que ela deve fazer? 
O ideal é que, ao constatar algo que possa ser um fóssil, a pessoa entre em contato imediatamente com alguma instituição que desenvolva pesquisa em paleontologia. É provável que a pessoa que não teve o treinamento necessário acabe danificando o objeto ao tentar extraí-lo da rocha por conta própria, mesmo que ela tenha a intenção de levá-lo a alguma instituição de pesquisa.

Ao comunicar paleontólogos profissionais, uma equipe irá se deslocar para o local do material e realizará a coleta com todos os cuidados, além de levantar também as informações sobre a posição do fóssil e o tipo de rocha em que ele está inserido. Quem encontrou o fóssil não poderá ficar com ele.