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Extinção no final do Triássico, há 201 milhões de anos, sufocou os oceanos

O dióxido de carbono liberado por erupções vulcânicas causou um aquecimento global que diminuiu a quantidade de oxigênio diluído nas águas, mas acelerou o metabolismo dos animais – uma conta que não fecha.

Por Bruno Vaiano - Atualizado em 11 set 2020, 16h30 - Publicado em 11 set 2020, 10h54

De tempos em tempos e bota “tempos” nisso, estamos falando em intervalos de centenas de milhões de anos –, uma parcela razoável da biodiversidade terrestre é eliminada por alguma sequência cataclísmica de fenômenos naturais.

Houve cinco extinções em massa ao longo da história do nosso planeta, e há quem argumente que a devastação causada pela civilização humana seja um sexto evento em andamento. (Já parou para se perguntar como é o apocalipse? Pois é, segundo alguns ecologistas, é provável que ele tenha começado com a invenção da agricultura pelo Homo sapiens.)

A extinção em massa mais conhecida pelo público leigo ocorreu há 65 milhões de anos, no final do Cretáceo, quando a queda de um bólido com mais de 10 km de diâmetro na península de Yucatán, no atual território do México, levou à extinção de todos os dinossauros, com exceção dos que dariam origem às aves atuais.

As demais extinções, porém, têm causas mais nebulosas. Uma delas, bem mais antiga, aconteceu há 201 milhões, no final do período Triássico, e abriu caminho para os dinossauros se tornarem a forma de vida animal dominante no planeta do mesmo jeito que, 165 milhões de anos depois, a extinção desses répteis criaria um vácuo que permitiu a irradiação dos mamíferos. É o ciclo da vida.

Um grupo interdisciplinar liderado por Tianchen He da Universidade de Leeds, na Inglaterra, publicou evidências de que essa extinção na fronteira entre o Triássico e o Jurássico foi parcialmente causada por uma queda brutal na quantidade de oxigênio diluída nos oceanos. 

O primeiro passo da equipe foi obter rochas na Itália, Canadá e Irlanda que hoje estão em terra firme, mas no Triássico estavam no fundo do mar. Então, eles mediram a presença, nessas rochas, de dois isótopos de enxofre. Isótopos são átomos que pertencem ao mesmo elemento porque possuem o mesmo número de prótons; mas que tem massas diferentes porque um possui mais nêutrons que o outro.

No caso, os cientistas analisaram enxofres com 16 e 18 nêutrons. Os enxofres de 18 nêutrons (chamados de 34S, em que o 34 que é a soma dos 18 nêutrons com 16 prótons) se tornam mais comuns quando há pouco oxigênio na água que está em torno de uma rocha. Eles descobriam que há picos incomuns de 34S. Sinal de que os oceanos sufocaram na época em que ocorreu a extinção.

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Essa descoberta permite deduzir uma provável sequência de fatos para a grande morte de 200 milhões de anos atrás. Erupções vulcânicas massivas (das quais também temos registros) podem ter despejado quantidades colossais de dióxido de carbono na atmosfera, desencadeando um processo de aquecimento global.  Água quente tem menos oxigênio, mas animais marinhos, com o metabolismo acelerado pelo calor, precisam de mais oxigênio. Com o gás vital em falta, começam as mortes.

Entender os mecanismos que levaram a extinções ao longo da história da Terra não serve só para saciar nossa curiosidade sobre a vida e obra dos seres vivos que vieram antes de nós, mas também para demonstrar a influência trágica que a atividade da nossa espécie pode exercer sobre os ecossistemas atuais.

 

 

 

 

 

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