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Físico brasileiro cria um nano-violão – que toca

É a primeira vez que os cientistas conseguem ouvir o som de um objeto tão pequeno. Escute a música produzida pelo instrumento.

Já pensou conseguir tocar e ouvir um violão do tamanho de uma célula? Foi isso que o pesquisador Gustavo Wiederhecker, da Unicamp, conseguiu fazer em conjunto com universidades americanas. Além disso, os cientistas aproveitaram para dar uma “palinha” tocando o hino de uma dessas universidades.

A pesquisa foi publicada na revista científica Nature. Esse instrumento, na verdade, é um nanotubo de carbono. É como se o violão tivesse uma única corda — mesmo simples, ainda é capaz de produzir som.

Para tocar um violão desses, você precisaria ter uma mão 100 milhões de vezes menor que a sua. Escutar uma música também não seria fácil: a frequência de vibração de uma corda dessa tamanho é alta demais para ser detectada pelos ouvidos humanos.

Por isso, os pesquisadores tiveram de desenvolver um sistema para registrar essas vibrações mecânicas. Os físicos diminuíram a velocidade de frequência de vibração do nanotubo em 500 a 1000 vezes para poder ouvir seu som. Eles também não precisaram usar nano-palhetas para tocar o violão. Com uma pinça muito pequena, eles esticam e relaxam a corda para alterar a frequência de vibração e atingir a nota desejada.

O sistema mede a vibração do nanotubo usando luz. Um feixe de luz dá 12 mil voltas no interior de uma microcavidade circular, com o nanotubo no topo dela. A cada volta, as vibrações do nanotubo mudavam o índice de refração da cavidade e consequentemente a velocidade em que a luz se propagava nele, a qual era monitorada. 

 (Divulgação/Reprodução)

Esse não é o primeiro nano-violão desenvolvido pela ciência. Em 1997, pesquisadores já haviam alcançado o feito. Acontece que antes eles poderiam mexer o violão o quanto quisessem e ainda assim não seriam capazes de ouvi-lo. O método usado anteriormente calculava apenas a média das vibrações ao longo do tempo.

Agora, além de escutar as vibrações em tempo real, os cientistas tomaram a liberdade de experimentar o novo método tocando o hino da Universidade Cornell, principal lugar onde o estudo se desenvolveu. Você pode ouvir a nano-música aqui. Quem sabe a próxima possa ser o hino da universidade brasileira.