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Gastronomia exterminadora

O diretor-geral da Organização de Alimentação e Agricultura das Nações Unidas, Edouard Saouma, disse que o mundo pode perder 40 000 espécies de vegetais.

Por Da Redação Atualizado em 31 out 2016, 18h45 - Publicado em 30 jun 1992, 22h00

O alerta é do diretor-geral da Organização de Alimentação e Agricultura (FAO) das Nações Unidas, Edouard Saouma: nos próximos cinqüenta anos, o mundo pode perder 40 000 espécies de vegetais. Tudo por causa de uma inocente opção gastronômica. “A culpa é da indústria e dos consumidores, que dão preferência sempre aos mesmos produtos”, explicou Saouma, num encontro promovido no inicio do ano pela Organização em \Roma. Como os agricultores procuram responder ao mercado, a redução das espécies tem se tornando mais agida a cada dia.

Na Espanha, por exemplo, diversos tipos de melão estão desaparecendo, a variedade de cebolas da Ásia Central se reduz drasticamente e, no Brasil, espécies de cana-de-açúcar e milho já se perderam. Além de comprometer experiências futuras para aprimoramento de plantas, a homogeneização biológica preocupa porque, sem diversidade, as lavouras ficam mais vulneráveis a doenças e pragas. A FAO estima que, atualmente, não se cultivam mais de 150 espécies, enquanto na Antigüidade esse número era de alguns milhares.

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