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Incêndios florestais deixam o céu vermelho na Califórnia

O estado vive sua pior temporada de queimadas em toda a história. Saiba como o céu fica dessa maneira – e por que o problema é tão recorrente na região.

Por Bruno Carbinatto - 10 set 2020, 19h32

Os moradores de São Francisco, cidade da Califórnia, nos Estados Unidos, acordaram confusos na última quarta-feira (09). Nas primeiras horas da manhã, quando o Sol deveria estar nascendo, uma grossa camada de fumaça escura cobria o céu, fazendo parecer que ainda era noite. Não demorou muito para que uma cor alaranjada tomasse o ambiente e, em plena hora do almoço, grande parte do estado estava sob um céu vermelho.

Mas não há nada de bonito aqui: o fenômeno é resultado das grandes queimadas que estão acontecendo nas florestas da região oeste do país há meses – e que vem se intensificando cada vez mais.

Em pouco tempo, os noticiários e as redes sociais estavam tomados com imagens de paisagens completamente avermelhadas. As cenas, como lembraram muitos, parecem com as filmes pós-apocalípticos ou de desastres nucleares – e são de arrepiar. Além da região da Baía de São Francisco, outras cidades no norte da Califórnia e também nos estados de Oregon e Washington registraram episódios parecidos.

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O fenômeno ocorre porque a densa camada de fumaça funciona como um “filtro” que deixa algumas cores passar e outras não. A luz solar é uma mistura de ondas com diferentes comprimentos que determinaram sua coloração, cobrindo todo o espectro das cores do arco-irís. Quando todas essas cores chegam junto ao nossos olhos, interpretamos como “luz branca” – a luz normal que estamos acostumados durante o dia. Mas as partículas de fumaça conseguem absorver ondas com menor comprimento, que possuem coloração azul, amarelo e verde, enquanto as ondas com maior comprimento, que são as vermelhas e laranjas, chegam até nós, resultando no cenário em que vemos.

Algo parecido acontece naturalmente durante o pôr-do-sol, quando a luz tende a ser mais alaranjada que no resto do dia. Isso porque, quando o Sol está perto do horizonte, significa que sua luz tem que passar por uma área maior da atmosfera da Terra até chegar até nós. Nesse processo, algumas ondas de menor comprimento acabam também sendo barradas.

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Desde agosto, a Califórnia vive sua pior temporada de incêndios florestais de toda a sua história. Só neste ano, mais de 3 milhões de acres (ou 12.100 km²) já queimaram por lá – dez vezes a área da cidade do Rio de Janeiro. Dos três maiores incêndios já registrados pelas autoridades, dois estão atualmente ativos, embora quase controlados. E dos 20 incidentes mais destrutivos da história do estado, 6 ocorreram este ano, segundo o Departamento Florestal e de Incêndios da Califórnia.

Apesar disso, a temporada de incêndios ainda não dá indícios de que terminará tão cedo. Milhares de moradores tiveram que deixar suas casas às pressas para fugir do fogo e da fumaça, que já mataram 12 pessoas neste ano. Ao todo, aproximadamente 14 mil bombeiros e outros profissionais estão combatendo 29 grandes focos de queimada pela região, embora haja outros incêndios menores também reportados.

Até então, o ano recorde de queimadas na Califórnia era 2018, quando também se registrou o incêndio natural mais mortal da história do estado: o chamado Camp Fire, que matou 85 pessoas na cidade de Paradise. Essa mesma cidadezinha está novamente ameaçada agora, e um engarrafamento se formou para deixar a região imediatamente nesta quarta-feira.

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O estado é um dos maiores e também o mais populoso do país, cobrindo quase toda a sua costa oeste. Mas os incêndios também estão se espalhando rapidamente para regiões próximas. Ao norte, em Oregon, a governadora Kate Brown decretou estado de emergência na terça-feira e ordenou a evacuação de moradores de regiões próximas ao fogo. Mais acima do mapa, em Washington, a área consumida pelo fogo em um único dia foi a mesma área queimada em toda a temporada de incêndios do ano passado.

Por que esses incêndios acontecem?

O ambiente da costa oeste dos EUA é propício para incêndios, que ocorrem todos os anos. A vegetação e o clima seco favorecem o espalhamento do fogo, que só precisa de uma faísca inicial para se alastrar, como a queda de um raio no local.

Mas esse estopim também pode ser causado por atividade humana, intencional ou acidentalmente, como uma falha elétrica ou mesmo um cigarro jogado na beira da estrada. Há até situações mais incomuns: um dos recentes incêndios na Califórnia foi iniciado por conta de uma festa de revelação do sexo de um bebê que utilizava um “artifício pirotécnico” para fazer o anúncio. Em 2017, um incêndio no Arizona começou da mesma maneira, segundo o The New York Times.

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