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Livro da Semana: “O Sentido da Existência Humana”, de Edward O. Wilson

Por que o ser humano é um mamífero que se organiza como as formigas? Como seriam alienígenas inteligentes? Por que somos religiosos? Um livro para abastecer a mesa de bar após a pandemia.

Por Bruno Vaiano Atualizado em 22 abr 2021, 14h17 - Publicado em 21 abr 2021, 12h13

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Em O Sentido da Existência Humana, O biólogo Edward O. Wilson, professor e pesquisador de Harvard desde 1956, une ciências humanas e naturais em uma sequência de ensaios que buscam chegar ao cerne das perguntas mais cabeludas de nossa existência: por que os seres humanos são do jeito que são, e não de outros tantos jeitos que poderiam ser? A evolução de vida inteligente nos moldes que conhecemos é algo especial ou um fenômeno corriqueiro no Universo? De onde vêm nossos instintos?

Aos 91 anos, Wilson tem no currículo mais de 150 prêmios por suas pesquisas e livros – incluindo dois prêmios Pulitzer de não ficção. Além de ser a maior referência viva no estudo de formigas, ele tem trabalhos seminais sobre a ecologia das ilhas, é um famoso conservacionista (responsável, inclusive, por ter cunhado o termo “biodiversidade”) e gerou um debate acalorado na década de 1970 com seu livro Sociobiologia – que buscava explicar o comportamento animal – incluindo o humano – sob o prisma da seleção natural e da genética.

  • O Sentido da Existência Humana não é seu maior nem seu melhor livro, mas é amigável: curto, fácil de ler e cheio de conexões fascinantes. Cada página é um momento “uau!”. Você descobrirá, por exemplo, que, embora a visão seja nosso sentido mais crucial e acurado, nós fracassamos na detecção de feromônios – uma forma de comunicação química crucial para a maioria dos outros animais. Você lerá uma especulação divertida sobre como seria a biologia de hipotéticos alienígenas inteligentes.

    Você verá também que a divisão de trabalho altruísta complexa praticada pelas formigas – chamada eussocialidade – evoluiu apenas 20 vezes na história da vida, 14 delas entre insetos. O que torna a eussocialidade chocante é que certos membros da colônia abdicam de certas funções em prol de outros membros. Por exemplo: existe a formiga rainha responsável por fabricar filhotes e formigas babás, as operárias, responsáveis por criar os filhotes.

    Wilson argumenta, porém, que a eussocialidade é como a ponta mais radical de um espectro, e que os seres humanos apresentam traços de eussocialidade: se especializam em certas funções, criam seus bebês coletivamente em creches e escolas e montam imensos formigueiros chamados cidades, ainda que não exista uma casta que nasça programada para exercer certas profissões ou abdicar do sexo (e nossa sociedade seja um produto da cultura mais do que é do instinto, enquanto as formigas dependem basicamente do instinto).

    Não vai faltar papo para a mesa de bar quando, finalmente, pudemos voltar a ela.

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