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Macacos também gostam de apostar – e preferem os lances mais arriscados

Cientistas americanos ensinaram animais a jogar, e descobriram que eles se comportam como humanos no cassino

Por Bruno Garattoni 19 dez 2018, 15h39

Em uma experiência realizada na Universidade Johns Hopkins, nos EUA, dois macacos rhesus foram ensinados a jogar um game de computador que dava goles d’água como prêmio. A cada rodada, o macaco tinha de escolher 1 entre 7 quadradinhos coloridos, que eram exibidos numa tela.

Cada quadrado tinha uma cor, e uma probabilidade de vitória, diferente. Ao selecionar o quadrado verde, por exemplo, o macaco tinha 20% de chance de ganhar 10 ml de água. Já se ele escolhesse o quadrado azul, o prêmio era mais modesto (3 ml), mas a probabilidade de ganhar era muito maior: 80%.

“Racionalmente, os macacos deveriam escolher a opção de 3 ml. Mas eles sempre preferiam a aposta mais arriscada“, afirmou Xiamomo Chen, líder do estudo. O interessante é que isso ocorria mesmo depois que os macacos já tinham saciado a sede: eles não bebiam mais água, mas continuavam jogando e escolhendo a aposta mais arriscada. “Eles são como as pessoas que vão a Las Vegas jogar caça-níqueis, que prometem uma recompensa muito alta, mas com probabilidade muito baixa”, disse Chen.

Em seguida, os cientistas usaram eletrodos para interromper parcialmente a atividade do córtex frontal medial (CFM) dos macacos, cujo comportamento mudou. Os animais continuaram jogando mas se tornaram mais cautelosos, realizando 40% menos apostas arriscadas. “Foi surpreendente encontrar uma região cerebral tão diretamente ligada a ações arriscadas”, afirmou o biólogo Veit Stuphorn, co-autor do estudo. Segundo os pesquisadores, a descoberta poderá ajudar a compreender, e eventualmente tratar, os casos das pessoas que têm compulsão por risco (como vício em jogos de azar).

 

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