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Mania de roubar

Após anos roubando, os cleptomaníacos referem-se ao ato como um hábito.

Cláudia de Castro Lima

O que leva uma estrela do cinema como Winona Ryder, com dinheiro suficiente para comprar o que quiser nesta e na próxima encarnação, a sair de uma loja na Califórnia com 5 560 dólares em mercadorias – sem passar pelo caixa? Condenada por roubo e vandalismo, a atriz pode nem saber o que a levou a cometer o crime, mas psiquiatras do mundo todo dão um nome ao impulso de furtar: cleptomania. O distúrbio está relacionado aos comportamentos obsessivo-compulsivos, como os que levam à dependência de álcool ou ao vício do jogo. Especialistas costumam comparar o sentimento pós-furto ao prazer de um dependente químico depois de usar drogas. “A sensação varia de acordo com o estágio do problema”, diz Jon Grant, diretor da clínica de Desordem do Controle do Impulso da Escola Médica da Universidade de Minnesota, Estados Unidos. “No início, os pequenos furtos dão prazer durante o ato e depois vem a vergonha e a culpa. Após anos roubando, os cleptomaníacos referem-se ao ato como um hábito.

Eles costumam dizer que roubam para se verem livres do impulso”, diz. Ou seja: roubam para não querer mais roubar. “Só um tratamento psiquiátrico, em alguns casos com o uso de medicamentos, pode ajudar um cleptomaníaco a se controlar”, afirma Gant.