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Metal que estica ou borracha elétrica?

Por Da Redação Atualizado em 31 out 2016, 18h52 - Publicado em 31 out 2004, 22h00

Dante Grecco

Ambos. Essa é a grande virtude do metal rubber, um novo material que une características do metal e da borracha desenvolvido pela NanoSonic, uma pequena empresa de Blacksburg, nos Estados Unidos.

Capaz de conduzir energia como o metal e ao mesmo tempo flexível e elástico como a borracha (pode esticar até 250% em relação ao seu tamanho original), o metal rubber é um “sanduíche” formado por camadas alternadas de aglomerados de nanopartículas metálicas (1 nanômetro equivale à bilionésima parte de 1 metro) e moléculas de polímeros (que lembra uma corrente, cheia de elos iguais) não-condutores de energia. Tal “sanduíche” é preparado por meio de um método simples, inovador e relativamente barato conhecido como electrostatic self assembly (“automontagem eletrostática”) ou simplesmente ESA, na sigla em inglês, em que cada camada formada por esse processo tem apenas alguns átomos de espessura.

Especialistas em nanotecnologia dizem que o metal rubber terá usos revolucionários, alguns bem próximos da realidade, ainda que num clima de ficção científica (veja abaixo). Em boa parte dos casos, Jennifer Lalli, líder do grupo de nanocompostos da NanoSonic, afirma que a aplicação do metal rubber está próxima. “Estamos aprimorando o material, e indústrias de equipamentos médicos, aeroespaciais e microeletrônicos já manifestaram interesse. Ainda não fizemos testes em seres humanos, mas não acreditamos que haja reações adversas do organismo, pois escolhemos materiais já usados para fins biomédicos”, diz.

Sanduíche eletrostático

Como é feito o metal rubber

Passo 1:

Um substrato carregado eletrostaticamente (como um pente quando o esfregamos em um pedaço de lã) é mergulhado em soluções aquosas, uma contendo íons positivos e outra negativos, além de polímeros, nanopartículas de metal, proteínas e outras moléculas

Passo 2:

Após cada banho, ele é submerso em água com alto grau de pureza. Os íons que estavam levemente presos são liberados, ficando no substrato apenas aqueles que estabeleceram entre si uma forte atração eletrostática

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Passo 3:

Repetido várias vezes, o processo faz com que os íons que ficaram no substrato organizem-se em camadas de cargas positivas e negativas, dando origem a um filme muito fino e uniforme

Alguns dos possíveis usos do “metal borracha”

Componentes

Circuitos eletrônicos flexíveis, antenas minúsculas e espelhos ultraleves e resistentes equipariam câmeras, sondas espaciais e satélites

Músculos

Seriam capazes de reagir a sinais elétricos alongando-se e retraindo-se como músculos naturais

Aviões

Utilizado na confecção das asas, tornaria possíveis modificações aerodinâmicas em pleno vôo

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